Análise: Dust – An Elysian Tail

Estamos em uma época de ascensão dos jogos independentes. Isso revolucionou a indústria de jogos, tornando mais acessível aos desenvolvedores de jogos publicarem suas criações sem ter que depender de uma grande Publisher.

Um desses jogos que fez grande sucesso foi o Dust: An Elysian Tail, que foi praticamente criado por apenas um pessoa.

Então, vamos conhecer melhor esse jogo.

 

Desenvolvido por uma pessoa

Como falei agora há pouco, o jogo foi desenvolvido praticamente por um único homem: Dean Dodrill. Ele é um ilustrador e animador que já trabalhou na Epic Games, ficando responsável pela arte e cinemática do jogo Jazz Jackrabbit 2 (1999). Em Dust, ele fez toda a arte e animação, além da programação. A única parte que Dodrill terceirizou foi a trilha sonora, que foi feita pela HyperDuck SoundWorks.

Originalmente, Dust era para ter um estilo 8 bits, inspirado pelos jogos como Castlevania. Entretanto, o estilo da arte foi mudado para o que se vê atualmente. Outros jogos inspirados foram Metroid, Ys e Golden Axe, que são bem perceptíveis durante o jogo. Dodrill estimou que o jogo ficaria pronto em 3 meses, mas ele teve sua versão final depois de 3 anos e meio.

Originalmente, o jogo seria lançado para Indie Games Channel do XBox 360, porém o game ganhou o desafio Microsoft Dream Build Play Challenge, no qual ganhou a oportunidade de publicar no Microsoft Live Arcade.

 

Conhecendo o Jogo

O jogo conta a história de Dust, uma pessoa que não tem lembranças do passado e que é acordado por Ahrah, uma espada sapiente mágica, e Fridget, a guardiã da arma. Ahrah conduz Dust para conhecer os arredores e acaba se envolvendo dentro de uma guerra, na qual Gaius, um general, deseja eliminar todos os Moonbloods. Conforme Dust vai avançando, ele vê as consequências das guerras em volta, onde inocentes acabam perdendo a vida ou passam por dificuldades. Aos poucos ele vai percebendo que não é uma pessoa normal e que tem um envolvimento maior do que pensava nesta guerra.

É perceptivel a inspiração de Castlevania no estilo de jogo, um mix de RPG com jogos de plataforma, e conforme vai jogando, vai ganhando níveis e, em certos pontos do jogo, novas habilidades. A exploração de Metroid também é forte, incentivando o jogador a retornar a um mapa já visitado, mas cuja partes só podem ser acessíveis depois de adquirir a habilidade certa.

O sistema de nível é baseado em pontos de experiência quando se derrota inimigos, mas que pode ter multiplicadores baseados em combos, que é o número de acertos sem que o inimigo o atinja. Quando o jogador tem pontos suficientes para aumentar de nível, ele adiciona um ponto em um dos seguintes atributos: Vida, Ataque, Defesa ou Fridget (responsável pelas habilidades mágicas). Entretanto, percebe-se um limitador que foi criado para que leigos em RPG não estraguem o balanceamento do personagem. Para isso, ele fez com que o atributo de maior pontuação não possa ser maior que 5 pontos do menor atributo. Isso evita que se crie um personagem que seja muito forte no ataque, mas, que se for acertado pelo inimigo, morra por não ter defesa e nem saúde. Acredito que seja válido para os modos casual ou até médio, mas que podia ser liberado nos modos difícil ou hardcore.

Os itens podem ser comprados em lojas ou adquiridos com inimigos. O jogo também conta com sistema de equipamentos: armadura, amuletos, capacetes e aneis. Eles ajudam a melhorar alguns atributos ou dar outras modificações, como aumentar as chances de arranjar dinheiro, obter itens e até aumentar a experiência obtida. Em um dos 21 sidequest do jogo, abre a oportunidade de você criar alguns equipamentos, tendo os igredientes para tal.

Aliás, os ingredientes merecem também destaque, pois eles não são vendidos inicialmente. Entretanto, se você vender um dos ingredientes, o item ficará disponível para compra e, conforme o tempo vai passando, o estoque desses ingredientes vai aumentando.

O jogo também possui as salas de desafios, onde o jogador deve atravessar uma sala cheia de armadilhas/inimigos no menor tempo possível e destruir o maior número de lamparinas possível. Os dois elementos compõe a pontuação final, que é enviada para um scoreboard, permitindo a comparação da pontuação entre seus amigos da Microsoft Live e o ranking mundial.

O jogo é relativamente fácil e um jogador que já tenha alguma experiência no gênero de jogo pode começar direto no modo Hardcore, onde terá um desafio extremamente bom. A música do jogo é excelente, entretanto, na dublagem dos personagens falta mais emoção, mais vida, pois muitas vezes parece que os personagens estão apenas lendo um texto.

 

Pontos Fortes
  • Possui uma arte muito bonita;
  • Há diversos níveis de dificuldade, sendo que o Hardcore é um bom desafio para quem já é acostumado com o gênero;
  • História muito boa, com um dos melhores plot twist que eu já vi;
  • Muitas missões secundárias;
  • Piadas que quebram a quarta parede, como quando Fridget fica assustada e se questionando como Dust conseguiu colocar um bode dentro do inventário.

 

Oportunidades de melhoria

  • Dublagem não dá vida aos personagens. Nesse caso, teria sido melhor que não tivesse;
  • Limitador do nível não deixa jogadores mais experientes fazerem o personagem da forma que deseja. Esse item é importante para os jogadores mais casuais ou não acostumados com RPG, mas limita os que já estão acostumados e querem fazer um desenvolvimento de personagem diferente.

Dust: An Elysian Tail é um jogo bonito e muito bom. A recepção pela crítica foi boa e atualmente está disponível no XBox Live Arcade, Steam e Playstation 4.

Thalisson Christiano de Almeida

Thalisson Christiano de Almeida

Formado em Ciência da Computação (UDESC). Foi Programador da Céu Games e professor do Técnico em Informática do SENAI-SC. Atualmente, trabalha na empresa By Seven. Já foi jogador de xadrez e praticou kung-fu, ambos por 4 anos. Hoje é praticante do Jiu-jitsu, esperando que não fique nos 4 anos. Não tem preferência de tipos de jogos em especifico, variando desde jogos casuais de Facebook até jogos mais hardcore.

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