Artigo: Jogos de Negócios: diversão e aprendizado ao gerir uma empresa virtual

O universo de aplicação dos jogos é muito amplo. Com o objetivo didático, muitos jogos trouxeram esse conceito como, por exemplo, os simuladores de atividades do mercado de trabalho.

Nesse contexto, jogos de negócios – ou business games – já existem de forma analógica há bastante tempo, simulando ambientes de empresas, setores e todo o sistema em si e suas relações com o todo.

Vamos conhecer um pouco desse tipo de aplicação.

 

Afinal: o que são jogos de Negócios?

Todo jogo de negócio trata de um jogo de simulação, pois ele quer retratar atividades cotidianas dentro de um universo virtual. Mas não somente isso: eles envolvem um sistema de uma organização de forma que os jogadores tomam decisões, influenciando no todo.

Basicamente, esse é o conceito. Imagine que você quer ensinar a gestão de uma floricultura: você precisará como jogador comprar insumos, gerenciar o caixa, recrutar colaboradores, observar fatores externos/internos que podem te prejudicar, como sazonalidade das plantas, de vendas, crises financeiras e uma série de outros fatores.

Jogos de negócios geralmente giram em torno de setores básicos que uma empresa, mesmo pequena, tem: setor administrativo, financeiro, comercial/vendas, pessoal e produção. A relação entre eles e as suas decisões influenciam no todo. Por exemplo: se gastar muito com pessoal, logo falta dinheiro para pagar fornecedores, assim não tem como produzir flores e, muito menos, atender clientes e ganhar receita. Sem receita, como vai pagar o pessoal? Empréstimo bancário ou demissões ou outra estratégia?

Essas decisões são interessantes para a simulação e são típicas desse tipo de jogo. Muitos até dividem em dias e demonstram relatórios de progresso para você acompanhar a empresa. Até alguns querem que você compre pesquisas para ver como sua empresa está indo. Pesquisa de satisfação do consumidor e de mercado são alguns exemplos.

Muitas vezes são jogos que exigem ações pensando também em longo prazo. No caso da floricultura, poderia já ir me preparando para uma época onde vendas são muito intensas (dia das mães, por exemplo). Senão, não conseguirei atender a demanda.

Também existem business games que tratam apenas de um setor da empresa ou de uma função em específico. Logo, a amplitude de aplicações é vasta.

 

Qual é o objetivo de um jogo de negócios?

Dentre os objetivos desse tipo de jogo, Luiz Barçante e Fernando Pinto trazem três elementos fundamentais:

  • Aumento de conhecimento: o jogador aprende durante a vivência, acumulando conhecimentos que depois vão ser importantes para decidir, interligar, coletar e organizar informações;

  • Desenvolvimento de habilidades gerenciais como comunicação, negociação, análise de informações, tomada de decisões e outras;

  • Fixação de atitudes como consciência crítica quanto à consciência, profissão e fatos, competição, solidariedade, saber trabalhar sob pressão e outras.

 

Que tipos de jogos de negócios existem?

O campo é bem vasto e alguns autores classificam-nos da seguinte forma:
  • Jogos gerais: tem como objetivo desenvolver executivos para a tomada de decisões;

  • Jogos funcionais: ajudar os colaboradores em uma função específica da empresa;

  • Jogos de comportamento: focados em desenvolvimento de atitudes;

  • Jogos de processo: focados em ensino de habilidades técnicas para uma determinada função;

  • Jogos de mercado: focado em situações de decisão em termos de mercado;

  • Jogos ativadores e integração: tem como objetivo aumentar a integração das equipes;

  • Jogos de toque e confiança: para desenvolvimento interpessoal;

  • Jogos de criatividade e reflexão: relacionar vivências da vida real com o game;

  • Jogos de gestão: focados em estratégias de gestão empresarial;

  • Jogos de fechamento: consolida o aprendizado no jogo.

No campo dos jogos digitais, são bem comuns os jogos gerais, de gestão, mercado, funcionais e de processo.

 

Quais os benefícios e cuidados de se utilizar jogos de negócios?

A experiência vivenciada traz muitos benefícios, dentre eles o estímulo à criatividade, adaptação às mudanças, coleta de informações sistemática, vivenciar novos papéis, tomada de decisões em ambientes de risco e outros.

Um dos pontos também é que você vai estar simulando uma situação real sem correr os riscos reais. Imagine gastar demais em uma empresa de verdade, gerando prejuízos. Provavelmente teria um impacto muito ruim, mas no game isso se torna aprendizado.

Claro que também nem tudo são flores. Alguns jogos precisam cuidar com os conceitos trabalhados para não criar modelos errados nos jogadores sobre como gerir uma empresa. Nem sempre qualidade é sinônimo de vendas garantidas, por exemplo. Dar pontos somente avaliando esse fator de maneira isolada está errado.

Também é necessário propiciar diversas possibilidades de resolução dos problemas, pois senão o game fica engessado e não trabalha bem a capacidade de tomada de decisões do jogador, principal ação em jogos desse gênero.

 

Alguns games para você gerir negócios

Um jogo bem conhecido no Brasil é o Desafio Sebrae. Todo ano acontece e passa por administrar uma empresa, variando a temática sempre. Eu participei de gestão de floricultura e de bolas de vôlei. Fui mal na floricultura e mediano na empresa de vôlei. O aprendizado valeu a pena para entender de forma sistêmica a empresa.

Vou deixar dois jogos como recomendações aqui do Kongregate, afinal esse do Sebrae é fechado para quem se inscreve no concurso:

 

Jogos de negócios trazem uma perspectiva de abordagem muito interessante para a formação empresarial e de colaboradores.

Também está se tornando comum práticas como gamificação e outras que estão adentrando o mundo empresarial, todas oriundas dos games. Com esses tipos de simulação não seria diferente.

O campo é vasto, tanto para digitais quanto analógicos. Vale a pena pensar em um tipo de business game que não está se fazendo muito.

 

Referências

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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