Artigo: Mitos sobre os Jogos Digitais

Mulheres Jogam!Você já deve estar acostumado a ouvir uma série de frases de pessoas que desconhecem os jogos digitais.

Essas frases sempre permeiam a preconceitos, tabus ou dúvidas que comentam sobre o jogo ser somente para crianças, falam que mulheres não jogam, que os jogos não dão dinheiro e outros comentários.

Nesse sentido, fizemos um artigo para esclarecer todas essas situações com base em análises de mercado e estudos de especialistas.

Vamos conhecer cada um desses mitos e sair dessa ficção criada pelo desconhecimento desses fatos.

 

Mito Um: Jogos são apenas para crianças

Idosos Jogando.A conotação no início dos jogos, principalmente quando a Nintendo foi a principal no mercado de games, deu essa conotação de que games são apenas para crianças. Afinal, a empresa japonesa trazia muito esse conceito de jogos mais infantis, felizes e para a família.

Atualmente, porém, isso já caiu por terra. Estudos mais recentes nos Estados Unidos da ESA (Entertainment Software Association), já nos mostram que 32% dos jogadores são maiores de 18 anos, 39% são maiores que 36 anos e, vejam só: o número de mulheres com mais de 50 anos que jogam cresceu em 32% de 2012 para 2013.

De fato, se você analisar um jogo como Brain Age por exemplo: ele é mais comprado por idosos. Fora que, se você fizer algumas pesquisas pela internet, vai descobri muitos jogos sendo usados no tratamento deles, algumas senhoras de idade são muito fãs de jogos como Dragon Quest. Me refiro mais aos idosos porque são aqueles que menos esperamos que joguem.

Mas esse número de 39% é normal, pois são daqueles que nasceram na década de 70 ou 80 e viveram o início da era dos games. Hoje cresceram e continuaram com esse tipo de entretenimento.

Então, meu amigo: games são para todas as idades. Tem jogo para todos os tipos de público.

 

Mito Dois: Jogos são para meninos apenas

O mesmo estudo da ESA nos mostra que está muito equilibrado o número de mulheres que jogam, tendo uma diferença muito pequena. Fora que tem crescido muito mais.

Conheço muitas meninas – e em eventos que já fui – viciadas em jogos FPS, RPG e outros. Então vejam que não dá para ter como regra esse tipo de coisa. Já ouvi que tem jogadoras, mas os jogos predominantes por elas são de redes sociais e Barbies – sim, já ouvi esse comentário machista. Vejam que nem sempre isso é verdade.

 

Mito Três: Jogos não dão dinheiro

Geralmente essa frase é mais citada aqui no Brasil, pois, de fato, falta muito para desenvolvermos a indústria de games por aqui. Porém dados aqui nas terras tupiniquins já nos mostram alguns resultados que desfazem essa frase.

Faturamento Empresas Brasileiras 2014

Em pesquisa pela Atrativa com órgãos sérios, mostram que 47% dos brasileiros gastam com jogos digitais. Também pelo estudo recente do BNDES, mostra que, aproximadamente, 75% das empresas brasileiras já faturam até 240 mil reais anual, mais de 21% entre 240 mil até 2,4 milhões e 4% mais que 2,4 milhões. Ou seja: dá dinheiro. Pode ainda a maioria não ter tanto dinheiro como a indústria de fora do país, mas já nos mostra um mercado em potencial a ser explorado.

 

Mito Quatro: Jogos geram pessoas violentas

Sempre polêmico esse tema, já discutimos em podcast do Fábrica que na verdade não é bem assim.

O psicólogo Thales Viana Coutinho nos traz várias pesquisas científicas, na descrição do seu vídeo, que trazem dados provados – não empíricos – sobre esse cenário. Recomendo assistir o vídeo para um maior esclarecimento.

Só não concordamos no vídeo sobre jogos não ensinar nada. Os educativos tem esse objetivo e ensinam sim, conforme o próximo mito.

 

Mito Cinco: Jogos não nos ensinam nada

Diversas pesquisas já mostram o impacto na educação dos jogos digitais. O livro “Games na Educação” traz diversos trabalhos científicos que mostram o contrário e minha pesquisa de pós-graduação também.

Também já fizemos artigo com outras fontes aqui no Fábrica que mostram o contrário.

 

Mito Seis: Quem joga games é um potencial desenvolvedor de games

Jogar jogos pode ajudar na busca de referências, entendimento de mecanismos padrões, análise deles, mas não vai te transformar num desenvolvedor assim.

Vejo muitos jovens que buscam fazer cursos de jogos digitais porque gostam de jogar. Ao se depararem com o que é de fato desenvolver um game, desistem do curso, pois envolve muito estudo como qualquer outra profissão. De divertido, só para quem gosta da profissão mesmo.

 

Mito Sete: Quem trabalha com games joga o tempo inteiro

Joga… o jogo a ser desenvolvido e com metas de teste bem definidas para achar bugs, problemas de usabilidade, portabilidade e outros. Eu mesmo não consigo jogar os outros games sem estar analisando-o o tempo todo.

Então o tempo inteiro ficar jogando? É o mesmo que afirmar que um padeiro vive comendo pão – o ato de uso do seu produto – o tempo inteiro na padaria.

 

 

Essas foram alguns mitos que precisavam ser desvendados. Se você tem mais fontes, deixe nos comentários. Se concorda ou não, também. Sempre são bem-vindas opiniões para uma troca de ideias.

Abraços e até o próximo artigo.


PS: As referências constam em links na própria postagem.

 




Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (Udesc), Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional (Senac), MBA em Game Design (Universidade Positivo) e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação (UFSC). Foi redator do portal Nintendo Blast, professor do Senac/Senai e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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