Artigo: Prototipagem de Jogos Digitais: Avaliando o Game Design

Protótipo e Versão Final do Game

Quando apresentamos o artigo de Game Design, listamos uma série de responsabilidades do profissional responsável por essa etapa. Uma delas é a prototipagem, que discutimos rapidamente.

Nesse artigo, vou apresentar para vocês um pouco dessa prática, suas vantagens e diversas formas de aplicá-las em games.

O nosso foco será jogos digitais e utilização da técnica para avaliar o game design. Todavia você verá aplicabilidades de outras formas e áreas também.

Como pode ver na imagem, a primeira parte é o protótipo e a outra o jogo finalizado.

 

Prototipagem e Game Design

Durante o desenvolvimento do projeto do game, muitas vezes é necessário realizar algo mais concreto para que se possa testar o que está se propondo em forma de documentação ou ideia. Nesse sentido, os protótipos ajudam a avaliar o que se deseja em termos do game design.

Alguns exemplos de situações aplicáveis são:

  • Teste do balanceamento da dificuldade proposta pela inteligência artificial;
  • Como a interface gráfica vai ficar e ver se o usuário a entende;
  • Avaliar ergonomia dos controles com uma versão deles prototipada;
  • Prototipar o cerne do jogo para apresentar a potenciais investidores;
  • Verificar se as animações ficarão adequadas no avatar etc.

O importante aqui é que o protótipo precisa de um foco pelo avaliador. Se perceber nos exemplos, todos têm um bem específico. Nesse sentido, você não vai precisar implementar todo o jogo. Essa é a ideia do protótipo.

Protótipo de Papel

Dessa forma, conseguimos avaliar o que queremos e evitamos retrabalho depois de o jogo já estar pronto. Sem citar que ainda podemos descartar uma ideia ruim logo de início, reavaliando-a e a aprimorando.

Você verá que muitos protótipos de jogos que focam em avaliar a dinâmica do jogo ou funcionalidade, pouco se importam com a estética, se ele é bonito ou não. Isso deixamos para o desenvolvimento propriamente. Agora quero avaliar se o jogo está divertido e as regras bem compreendidas pelos jogadores.

Também é necessário avaliar a ferramenta a ser utilizada na prototipagem, isto mediante o cronograma do jogo, o foco da avaliação e recursos disponíveis.  Pode ser feito com linguagens de programação script, por exemplo, mas muitas vezes maquetes no papel, lego e outros recursos de baixa fidelidade atendem bem às expectativas da avaliação. Isso é fundamental ao se realizar um protótipo.

Por último, é fundamental que na avaliação se entenda que aquilo é um protótipo, principalmente se houver testes com usuários. Afinal, podem avaliar o jogo de maneira ruim por não verem gráficos finais bons, por exemplo. Até porque, se o foco é funcionalidade, isso pouco importa ser desenvolvimento para a avaliação.

 

Quais os tipos de Prototipagem?

Protótipo de Jogo PFS em PapelNós vamos falar muito no artigo com foco na prototipagem rápida, mas existem outras. Dentre os tipos de protótipos, segundo Breyer e outros autores, podemos classificar da seguinte forma:

  • Prototipagem rápida: desenvolve novos projetos, avalia o protótipo, descarta-o para produzir outro projeto e novo protótipo;
  • Prototipagem reutilizável: parte do protótipo pode ser reutilizada para o projeto final. Logo, o esforço de criar o protótipo não é descartado;
  • Prototipagem modular: novas partes vão sendo acrescidas de acordo com o ciclo de desenvolvimento do jogo;
  • Prototipagem horizontal: demonstra várias propriedades do produto sem que realmente funcionem. Bastante usado para interfaces para verificar disposição das informações;
  • Prototipagem vertical: foco em apenas uma funcionalidade, mas ela funciona como deveria. Por exemplo, ter só o gameplay implementado do game;
  • Prototipagem de baixa fidelidade: é um teste de baixo custo, implementado usando papel e caneta, imitando a funcionalidade do produto.
  • Prototipagem de alta fidelidade: ele se parece ao máximo com o produto final em todas as características.

Qual prática utilizar fica a critério da equipe de desenvolvimento, de acordo com o objetivo deles. Se a ideia está bem sólida, uma prototipagem reutilizável pode ajudar bastante para já ter boa parte do jogo pronta, por exemplo.

 

Alguns exemplos na prática

Alguns casos que trago é do artigo de Breyer e outros autores. Outros busquei na internet para demonstrar uma diversidade de usos dessa técnica.

Ronaldinho Controle Total - GameNo jogo Ronaldinho Controle Total (imagem à esquerda do jogo final, à direita do protótipo), o protótipo foi feito no Game Maker. O objetivo do game era fazer o maior número de embaixadinhas. O jogador precisa manter o ritmo e, conforme consiga, vai aumentando a altura que a bola atinge. Eles fizeram um protótipo para avaliar o gameplay principal do jogo, o controle da bola pelo jogador, regra das alturas e acertos do ritmo se estava divertindo. Com os testes, conseguiram verificar algumas situação como: a animação do personagem não encostava na bola no nível mais alto; ampliado de três para cinco áreas de impacto; cores da área de impacto modificadas; posicionamento do personagem revisto e outras ações corretivas.

American Dad: Roger's EscapeJá no game American Dad: Roger’s Escape, o jogador controla o Roger, extraterreste dentro de labirintos. O objetivo é achar chaves que abrem portas para fugir das salas dos agentes do FBI. Na avaliação, o foco era verificar se a experiência do jogador estava adequada em relação a tensão de fuga. Com o protótipo, conseguiram montar o level design melhor, balancearam as regras, mudaram a velocidade de caminhar do agente e outras melhorias para dar a sensação desejada pelo game designer.

Eu já fiz essa prática em jogos de tabuleiro também, simulando a dinâmica do jogo que depois seria implementada em software. Dessa forma, promoveram depois ações corretivas no jogo ao testar o que projetei.

Esses são exemplos que mostram bem essa utilidade. Recomendo também esses exemplos nos links a seguir:

 

A prototipagem é uma etapa fundamental para que se testem conceitos antes mesmo da implementação final. Mas é necessário foco no que se deseja avaliar e verificar qual ferramenta melhor se aplica a situação do jogo e tempo de projeto.

Nossa fonte principal é o artigo “Prototipagem Rápida para avaliação de game design”. Recomendo a leitura para aprofundamento do tema.

 

Referências

  • Breyer, F. B.; Credidio; D.; Neves, A. Prototipagem rápida para avaliação de Game Design. Artigo. Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital. São Leopoldo, 2007.
  • Outras referências citadas nos links dos exemplos da seção Alguns Exemplos na prática e imagens do artigo também.

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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