Desenvolvendo um Jogo Digital do Zero: Parte 1 – Introdução aos Trabalhos de Game Design

Até agora você acompanhou artigos e tutoriais no Fábrica de Jogos sobre algumas partes do desenvolvimento de um jogo digital.

Pois bem… Hoje estamos iniciando uma série no blog que mostrará o desenvolvimento de um jogo digital do início ao fim, da ideia até chegar a publicação em um portal de venda.

Então, deixe que expliquemos tudo para vocês. Iniciaremos uma etapa agora.

 

Todas as postagens aqui: https://fabricadejogos.net/colunas/producao-jogo-digital-do-zero

 

A Série Desenvolvendo um Jogo Digital do Zero

A ideia da série surgiu com a vontade de contar os passos de desenvolvedores das mais diversas áreas sobre o mesmo jogo e em uma ordem de desenvolvimento.

Claro que muitas etapas aconteceriam em paralelo ou estariam organizadas de outra forma ou ainda voltariam para ajustes, mas aqui, para ser mais didático, optamos por essa abordagem.

Você conhecerá as seguintes etapas (os testes e prototipagem não serão abordados com profundidade, mas saibam que teriam também):

  • game design;
  • programação;
  • artes e animação;
  • música; e
  • publicação do jogo.

Vamos mostrar a nossa forma de trabalho para esse projeto, mas convidamos vocês para dar sugestões e trazer outras abordagens. Afinal, existem outras formas de desenvolvimento que vocês podem trazer até nós.

As publicações acontecerão nas quintas-feiras, de modo geral, e vão até metade desse ano.

Haverá um revezamento entre os redatores e inclusive participação de parceiros do Fábrica para a parte musical (Quasar Sound Work).

O jogo criado depois será publicado de forma gratuita para que você baixe e conheça o produto criado aqui.

Quanto ao game optou-se por um mais simples e rápido de se fazer, limitando o escopo nesse sentido. Afinal, queremos mostrar os detalhes da produção, dificuldades, integração dos setores e atividades envolvidas em cada área. Senão também ficaríamos até ano que vem postando sobre a série.

O mecanismo de jogo, dessa forma como justifiquei, será baseado em um game muito famoso na história dos videogames e simples: o Pong.

 

Apresentando o famoso Pong

Pong foi um jogo para plataforma arcade da década de 70 da Atari. Com visual 2D e simples, até pelas limitações da época, seu objetivo era fazer com que a bolinha passasse da barreira do seu adversário para marcar ponto. A maneira de fazer isso era rebatendo a bolinha para o lado do adversário até atingir o objetivo. Ao passar da barreira, o jogador bem sucedido marcava pontos e o jogador com maior pontuação vencia.

Simples assim e viciante a ponto de levar muitas pessoas na época a gastarem muitas moedas nos fliperamas. Abençoado seja Nolan Bushnell e Ted Dabney, desenvolvedores do jogo.

Vamos então começar o trabalho?

 

Qual a melhor abordagem de Ideia de um jogo digital?

É o início de tudo. Sem uma ideia central, não há início de nada em um jogo.

Muitos desenvolvedores têm a ideia de forma espontânea ou sugerida por alguém (mercado, publisher) ou ainda por meio de técnicas criativas. O importante é ter uma ideia bacana, original e que tenha um público bem definido para isso.

Eu considero que a ideia pode surgir em três abordagens:

  • temática ou história;
  • plataforma que o jogo irá rodar; e
  • mecanismos.

Qual a melhor forma? Não há um consenso sobre isso. Vá naquela que surgir e te ajudar melhor a definir o game que você está querendo conceituar.

Vou explicar cada abordagem. Sobre a temática/história, a partir do tema é que surge o restante do game, é o tema que faz acontecer no jogo ou o roteiro. Um exemplo válido seria: pensarmos em um jogo na época feudal em que cavaleiros precisam buscar o Santo Graal, enfrentando perigos dos mais diversos. O foco está no roteiro. Ou ainda: você é um cozinheiro e está misturando ingredientes e doces para se tornar um grande mestre gourmet.

Outra forma é pela plataforma. Nesse sentido, o foco é onde o jogo irá funcionar. Pode ser referente a hardware, software ou até mesmo tradicional (tabuleiro físico, por exemplo). Exemplo: quero fazer um jogo para web, mas de forma responsiva para mobile nas plataformas Android e iOS. Outro exemplo: o jogo será para Xbox One com uso do Kinect para leitura de movimentos.

A última abordagem é sobre os mecanismos do jogo. Essa se refere a como veio a ideia do nosso projeto nessa série. Partimos de um estilo de game (Pong) para pensar na ideia de como será desenvolvido o nosso. Não que necessariamente ele será igual ao original, mas é um ponto de partida para iniciar a lapidar melhor a ideia.

Aliás, até agora só pensamos em fazer um game estilo à Pong, mas nem definimos regras, interação, temática, power ups, personagens… Calma. Tudo isso veremos aqui aos poucos.

O importante agora é ver o que os outros já fizeram para conseguirmos construir melhor a ideia do nosso jogo digital.

 

Por que buscar referências para o projeto?

Essa é uma etapa que sempre adoto nos meus projetos. Nem sempre é muito realizada por desenvolvedores devido a tempo e outros motivos, mas considero essencial para se fazer um projeto.

Uma das razões é observar os mecanismos básicos em que o estilo de jogo adotado funciona, ou seja, aquele tipo de estrutura que não pode faltar em um game desse gênero.

Outra justificativa é para saber o que os outros já fizeram. Dessa forma, podemos manter padrões de boas práticas, além de saber o que podemos inovar para ter diferencial. Na área empresarial eles chamam essa prática de benchmarking.

Vamos ver na prática.

 

Referências de jogos digitais à Pong

Como a ideia está centrada nesse game, fui buscar jogos que seguem esse estilo.

Analisei alguns jogos, – peguei uma amostragem de vinte – tirei algumas conclusões que podem ser óbvias para quem conhece bem o gênero, mas que muitas vezes, envolvidos demais no projeto, passam batido.

Verifiquei em um smartphone de tela pequena, um grande e um tablet. O jogo vai ser para essa plataforma e Android.

Algumas conclusões perante à observação:

  • Uma abordagem mais focada no mecanismo do jogo, pouco no roteiro. O máximo que tinha era uma temática diferenciada e quando tinha;
  • Painel de HUD com pontos, indicação de qual lado é de que player, também delimitação de campos de atuação de cada um;
  • Algumas abordagens diferentes, usando 3D, cenário circular, barras de energia em vez de pontos a cada passagem da barreira do adversário, uso de power ups;
  • Personagens como bolinhas ou as plaquinhas que rebatiam com formas nesse sentido;
  • A maioria usava interação com mouse ou tela de toque. Nessa última abordagem, observei que, em telas menores, ficava complicado de ver a barra e arrastá-la;
  • Velocidade da bolinha variada ajuda a deixar o jogo mais interessante também.

Com essa análise, já consegui ter algumas ideias de abordagens de jogo, mecanismos, plataformas, interação e outros detalhes. Agora já tenho segurança para criar o conceito do jogo que penso.

 

Próximo episódio

Conhecemos um pouco sobre abordagens de ideia de um jogo digital e busca de referências.

Para a próxima etapa, vamos aplicar algumas técnicas criativas para ajudar no conceito do jogo que vamos documentar.

Obrigado, acompanhem-nos, recomendem e é isso aí. 🙂

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.