Desenvolvendo um Jogo Digital do Zero: Parte 2 – Técnicas Criativas aplicadas ao Game Design

Já apresentamos para vocês essa série, ou seja, vamos mostrar um jogo digital sendo desenvolvido aos poucos. Se perdeu, acesse aqui.

Também mostramos que a proposta será baseada no Pong, assim como as referências já buscadas para ajudar no desenvolvimento do nosso jogo digital.

Agora chega o momento de começarmos a lapidar ainda mais a ideia. Mas aih você pensa: de onde partir?

Então, vamos demonstrar algumas técnicas criativas e como foram aplicadas nesse projeto.

Todas as postagens aqui: https://fabricadejogos.net/colunas/producao-jogo-digital-do-zero

 

Aplicação da Técnica de Brainstorming

A técnica de brainstorming é bem conhecida nas áreas criativas, mas utilizada em vários segmentos como marketing, administração, setor industrial e outros.

A “tempestade cerebral” – traduzindo grosseiramente o termo – faz um levantamento de diversas ideias conforme um tema ou objetivo em comum de uma equipe.

Podem ser utilizadas de frases, palavras, desenhos, enfim… o importante é deixar fluir as ideias e a participação de todos da equipe. O principal é não julgar as ideias de início. Deixe fluir. Depois se faz isso.

Existem diversas abordagens da técnica, mas vou passar aqui uma forma mais clássica.

Um brainstorming interessante é sempre com mais pessoas. No mínimo duas, mas se puder ter mais que isso, como quatro pessoas por exemplo, o levantamento de ideias será bem mais interessante.

Eu, devido a alguns contratempos, fiz sozinho em um primeiro momento, depois busquei ajuda de conhecidos e finalizei as ideias com a equipe que vai fazer o jogo. Enfrentei dificuldades, mas saíram boas propostas.

No processo, eu fiquei responsável por conduzir o brainstorming. Sempre é necessário alguém para isso, pois alguém anota as ideias em um lugar para todos verem, traz para o foco quando alguém dispersa demais na sessão e controla o tempo.

Sobre o tempo, eu recomendo nunca passar de uma hora todo o processo. Porque em geral, passando disso, as pessoas ficam cansadas, as ideias não fluem tão bem, e ao final a reunião se torna improdutiva.

Para o projeto, estava com uma ideia de contexto relacionado a ambientes aquáticos. Então defini como tema para o brainstorming: “Ambientes e Elementos Aquáticos”. Tudo que vier a cabeça sobre o tema. Deixei-o abrangente, pois outros contextos poderiam aparecer.

Veja o que foi gerado na primeira etapa do produto (fiz só com palavras):

No primeiro momento, ninguém julga se a ideia é boa. Só vai dizendo o que vier na cabeça. Depois sim fazemos uma filtragem, pegando aquilo que realmente é legal e desenvolvendo melhor a ideia.

Sobre a filtragem, peguei alguns elementos que julguei interessantes e levei para outra abordagem chamada caixa morfológica.

 

Aplicação da Técnica Caixa Morfológica

Gosto dessa técnica, pois ela dá uma visão ampla e geral de todas as possibilidades que podemos criar para o jogo.

Pode ser usada para elementos bem específicos como criar um personagem (cada característica física e psicológica a ser pensada), por exemplo. Também pode ser usada para alternativas de roteiro em uma história entre outras abordagens.

O registro podem ser de palavras, alguns usam desenhos também. Fica a seu critério.

No meu caso, elenquei elementos do Pong e pensei em possibilidades que eles poderiam assumir baseado no brainstorming que fiz. Centrei no elemento tubarão, confesso, pois achei interessante tratá-lo no jogo de alguma forma. O resultado está abaixo:

No meio do caminho surgiram outras alternativas que acresci, estas fora do brainstorming. Faz parte do processo e sempre considere isso.

Veja algumas alternativas que podemos gerar:

1.    Em um cenário na superfície do mar, um tubarão é a bola. Surfistas estão em perigo e precisam rebatê-lo com a prancha para o seu adversário. Um maremoto pode proteger o surfista do tubarão com uma barreira que não deixa o animal marinho passar de jeito nenhum.

2.    Em um cenário no fundo do mar, um tubarão tenta atacar mergulhadores. Eles se protegem com grades e o rebatem até que um deles deixe o animal passar e seja morto. Um power up sereia pode deixá-los paralisados temporariamente ao serem encantados pela canção dela.

Enfim, essas serão as ideias do jogo? Ainda é cedo para isso. Mas você percebe quantas alternativas podemos gerar? E ainda foram poucas colunas. Poderiamos ter muito mais.

Lembrando que as ideias também sempre precisam ser lapidadas, mas já dão uma ajuda boa para ter um ponto de partida.

 

Mapas Mentais

Os mapas mentais são bons para explicar as relações das ideias de forma visual.

Uso geralmente para apresentar uma proposta de ideia, realizar as diversas conexões entre elas. Ela quer simular como nosso cérebro mapeia as informações.

Não há uma maneira certa de fazer. Se pedir para pessoas diferentes fazerem partindo de uma mesma raiz, sairão varios mapas mentais diferentes.

O formato também é livre: pode usar desenhos, cores, setas e outros formatos. O objetivo é mostrar as relações entre as unidades.

O importante é sempre iniciar com uma palavra principal e a partir disto ir desenvolvendo ideias.

No meu caso, usei o jogo Pong e fui derivando para elaborar e criar as ideias e conexões:

Enfim, essa é uma possibilidade. Você pode gerar diversas outras e com desenhos, cores, ou o que mais desejar. Faça a sua e compartilhe conosco. 🙂

 

Conversa com a Equipe de Desenvolvimento

Baseado nas técnicas aplicadas, consegui gerar seis propostas de jogos bem rápidas.

Conversei com a equipe para já discutirmos alguns aspectos, antes mesmo do conceito do jogo como arte, elementos interessantes ao jogo, impacto na complexidade de programar, ideias novas etc.

Logo, conseguimos escolher uma proposta para trabalhar melhor o conceito, mas isso é para nossa próxima postagem.

 

Revisão e o próximo Episódio

Você já entendeu algumas técnicas criativas que podem ser abordadas como o brainstorming, a caixa morfológica e os mapas mentais.

Deixo claro que existem outras técnicas e abordagens delas. Vai de você como desenvolvedor perceber a necessidade e como as utilizará.

Também apresentei aqui algumas imagens, quando fiz mais bonitas, para ficar melhor de mostrar a vocês. Mas muitas faço no papel – no meu caso as ideias fluem melhor dessa forma – e depois fui melhorando.

Quer saber qual proposta escolhemos? Acompanhe-nos na próxima postagem.

Vamos abordar o conceito do jogo (game concept) ou high concept como alguns chamam.

Enfim, até semana que vem, pessoal.

 

Referências para Complementar os seus estudos

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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