Entrevistas com profissionais da área de games: Betu (Behold Studios)

Entrevistas - Fábrica de JogosBehold Studios - Entrevista com Betu

Começamos mais uma nova coluna aqui no Fábrica de Jogos: entrevistas.

O objetivo é buscar profissionais brasileiros que atuam na indústria dos games e saber um pouco da sua experiência, dicas e opiniões das mais diversas da área.

Na primeira entrevista temos o Alberto, cujo nome artístico é Betu. Ele trabalha na Behold Studios, desenvolvedora de games indie de Brasília – DF.

Vejam as perguntas que fizemos para ele.

 

Quem entrevistamos?

Betu - Behold Studios

Betu Souza, estudante de Artes Plásticas na Universidade de Brasília, é um dos diretores da Behold Studios, estúdio independente de produção de jogos. Já trabalhou como artista em diversos projetos, como Super Cutes, Save My Telly, Em Busca dos Sonhos, Knights of Pen and Paper e atualmente trabalhando no Chroma Squad, jogo desenvolvido para PC, Mobile e Consoles. Já ministrou diversos cursos em artes digitais, como “Photoshop para games” e “Pixel art”.

 

Apresentação

Olá, Betu!

Eu sou o Fabiano e administro o Blog Fábrica de Jogos, também atuante com a Céu Games, desenvolvedora de jogos digitais aqui de Santa Catarina.

Você está participando de uma coluna do Fábrica de Jogos de entrevistas sobre profissionais da indústria de games no Brasil. Você é o nosso primeiro entrevistado e agradeço pela disponibilidade e participação.

Vamos nessa!

 

Perguntas

1) Quando você sentiu que a carreira de desenvolvedor de games seria interessante para sua vida profissional? Como começou esse interesse?

Oficialmente, comecei a desenhar em 2003. Meus objetivos inicias com a ilustração inicialmente eram de trabalhar com quadrinhos, animação na Disney ou arte em games. Com o passar dos anos, fui sentindo que quadrinhos não eram minha praia, Disney parecia muito distante, principalmente quando pararam com animações tradicionais e hoje vivo um de meus propósitos, arte em games.

2) Você é atuante como desenvolvedor indie de games, certo? Quais os maiores desafios desse desenvolvedor comparados a outras modalidades, principalmente aqui no Brasil?

Acredito que a independência (indie) no desenvolvimento de games é a modalidade mais difícil de se viver atualmente aqui em nosso país. Temos outras modalidades como serious games e jogos educacionais que possuem ajuda de editais e patrocínios para se manterem. O indie está livre em suas ideias e para sobreviver nesta selva é preciso muito amor.

Knights of Pen and Paper - Game da Behold Studios3) Como artista de games, qual o trabalho que se sentiu mais realizado em fazer e por quê?

Atualmente sinto que o jogo Knights of Pen and Paper foi um grande feito para mim e para toda equipe, mas já sinto que em nosso novo projeto, Chroma Squad, todos nós conseguimos dar um passo mais refinado.

4) Na sua visão, o que um artista de jogos digitais necessita de competências para estar nesse ramo profissional?

Versatilidade, humildade, vontade e criatividade.

5) Muito se discute se o jogo digital é uma forma de expressão de arte. Qual a sua opinião sobre isso?

Pessoalmente, não há discussão. Jogos são uma expressão de arte e de cultura. Trazem em si sistemas de lógica, design, composições, animação, música, efeitos sonoros, desenhos, história, narrativa… A lista é grande.

6) Por favor, Betu, responda a essa pergunta que todos os aspirantes a desenvolvedores de games me fazem. Uma resposta de outro desenvolvedor ajudaria a acalmar esses corações (risos). Jogos digitais são rentáveis para desenvolvedores brasileiros? O que leva as pessoas a fazerem tanto essa pergunta a nós, desenvolvedores de games (pelo menos para mim e outros que converso)?

Esta pergunta é naturalmente pertinente. Muitas pessoas gostariam de sobreviver financeiramente com o desenvolvimento de games. É rentável, mas por ser um mercado que está ainda ganhando valor no Brasil, é necessário um esforço maior. Nesta industria não se pode sentar e esperar que as coisas aconteçam e contar que você vá em algum momento se favorecer financeiramente nisto. A industria de games nacional precisa de pessoas que façam acontecer, o retorno financeiro é um fruto. A industria não comporta um desejo de entrar pelo dinheiro, entre pela paixão.

 

Encerramento

Muito obrigado pela contribuição ao blog com suas respostas.

Aguardem mais entrevistas! Conheçam diversos profissionais brasileiros de desenvolvimento de games.

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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