Entrevistas com profissionais da área de games: Pedro Savino (Mombo Challenge)

MomboEntrevistamos e trazemos mais uma história de vida de game developer interessante.

Já apresentamos o seu game na nossa seção Games Nacionais e vamos conhecer toda essa trajetória.

Conheçam o Pedro e seu Mombo Challenge, desafio que criou para ganhar experiência prática desenvolvendo jogos digitais.

Leia tudo que perguntamos para ele.

 

Quem entrevistamos?

Pedro Savino: Recém formado em Design – Mídias Digitais pela PUC-Rio; segundo colocado no “Festival de jogos do SBGames 2013”, categoria melhor jogo feito por estudante; terceiro colocado no “Segundo concurso de jogos empreendedores do SEBRAE”.

 

Perguntas

1) Conte para nós como foi o seu início no desenvolvimento de jogos digitais.

Minha relação com o desenvolvimento de jogos foi um pouco tardia mas inevitável. Sou uma pessoa que gosta de fazer diferentes coisas e quando era mais novo tinha diferentes nichos de amigos.

Pedro Savino

Andava com o pessoal intitulado “nerds”, eu era um deles e com outros grupos como os dos caras que eram viciados em futebol, aqueles que saem correndo em direção da quadra quando bate o sinal do recreio para ver quem vai ficar na “de dentro”. Com os nerds comecei a jogar RPG e o TCG, Magic The Gathering . Com o Magic e o RPG tive um bom contato com jogos e suas regras.

Durante a adolescência essa pluralidade de interesses me fez entrar numa banda, como vocalista, e começar a estudar música. Comecei então a aprender a tocar guitarra com o guitarrista da banda meu grande amigo, Caique. Com o tempo fui aprendendo e adquirindo outros instrumentos e a música virou uma das minhas paixões da vida.

Mais tarde prestei vestibular para ciências da computação e passei para a Universidade Federal Fluminense (UFF). Depois de 1 ano cursando tranquei minha matricula e fui estudar Design na PUC-Rio. Mesmo ficando pouco tempo no curso aprendi programação, que mais tarde se tornaria essencial para meu ingresso no campo dos jogos eletrônicos.

No inicio do curso na PUC conheci Emanuel, artista profissional. Comecei a desenhar e com a ajuda dele aprendi muito.  Entrei para aula de pintura e a arte começou a fazer parte de meu cotidiano. Percebi que levaria um bom tempo para chegar a um nível satisfatório, então comecei a treinar muito, cheguei a desenhar 10 horas por dia para aprender mais rápido.

Até aquele momento não havia ligado os pontos, tinha conhecimento em som e música, gostava de jogos, sabia programar e meus desenhos e pinturas estavam começando a receber elogios. Tinha a faca e o queijo na mão mas ainda não sabia o que era desenvolver jogos eletrônicos. Até a metade do curso de Design eu pensava que a única coisa que eu não iria fazer era jogo. Animação, Web, Comunicação visual, qualquer coisa menos jogos.

Foi então que Emanuel me chamou para fazer uma disciplina de jogos, segundo ele precisavam de alguém para programar o jogo. Como gostava muito de trabalhar com meu grande amigo Emanuel, vulgo Tiozão, topei e começamos a desenvolver o jogo.

A partir desse primeiro game tomei gosto pelo desenvolvimento de jogos. Comecei a estudar game design e a desenvolver meus próprios jogos.

 

2) Quais competências você julga importantes para alguém atuar nessa área?

Antes de tudo, qualquer pessoa que queira atuar na área deve amar jogos e conhecer os mais diferentes games já lançados. Uma habilidade muito importante mas pouca gente fala é ter sensibilidade. O profissional deve ter a capacidade de perceber as nuances do game design, saber como passar determinado conceito ou emoção, saber qual o “feeling” do game e como transmitir isso em seu jogo. Mas para desenvolver qualquer habilidade é necessário paciência, tempo e principalmente muito amor e prática.

 

3) Como surgiu a ideia do Mombo e seus jogos semanais? Quais resultados você está obtendo dessa experiência perante público como visibilidade, financeiramente?

Mombo Challenge

O personagem Mombo é fruto do meu TCC, onde desenvolvi o personagem e um aplicativo com um conjunto de jogos para ele. Assim que me formei sabia que precisava de mais experiência no campo dos jogos já que não havia feito muitos até o momento. Então resolvi criar um desafio de desenvolver um jogo por semana obrigando-me a exercitar todos os campos do desenvolvimento de um jogo. Esse desafio durou dois meses com o total de 8 jogos criados. Muitos deles ficaram  “toscos”, mas outros ficaram bem legais, principalmente levando em conta a conjuntura de ser desenvolvido em uma semana e ter de fazer tudo desde a arte, game design, programação e sonorização. Ao final da maratona retirei das lojas online os piores deixando apenas os 3 melhores. Durante o desafio aprendi muito. Nunca havia publicado nenhum jogo em lojas virtuais. Fazer várias vezes o processo de concepção, produção e distribuição me fez aprender muito em pouco tempo. O retorno financeiro é quase zero, já que os jogos são de graça e não tem sistema de vendas dentro do jogo, apenas os para iOS tem propaganda.

 

4) Qual o maior desafio no desenvolvimento dos seus jogos digitais?

Meu  maior desafio é saber lidar com minhas limitações, não sou artista, mas faço a arte, não sou programador mas programo meus games, não sou músico mas faço minhas composições e alguns efeitos sonoros e por fim ainda tenho que projetar o jogo sozinho. Para contornar esses desafios uso diversos artifícios. Na arte procuro trabalhar com o estilo pixel art que é muito mais rápido e fácil para desenhar e animar. Na programação uso engines como Construct 2 e Gamesalad, que são feitos para pessoas que não são programadores profissionais mas querem prototipar ou mesmo produzir um jogo. Na parte de som utilizo de um teclado MIDI onde toco e consigo simular todos os instrumentos. Mas é na parte de game design que o bicho pega, sinto falta de outras pessoas para contribuir com ideias, um brainstorm em grupo me faz muita falta.

Sei de minhas limitações e tento não abusar na hora de produzir um jogo. Um erro comum em pessoas que começam a desenvolver seus primeiros jogos é tentar conceber algo que não estão habilitados a fazer. Talvez por desconhecerem o trabalho, dificuldade e outras coisas que envolvem a produção de um jogo. É necessário analisar cuidadosamente se aquela ideia é viável ou não, conhecer perfeitamente os processos, sempre tendo em vista o tempo, público, recursos financeiros ou até mesmo capacidade técnica para desenvolvê-lo.

 

5) Você recentemente ganhou em terceiro lugar no Concurso de Games do Sebrae (Rei da Praia). Conte qual o projeto aplicado e como foi a experiência de participar do concurso.

Rei da PraiaEm fevereiro recebi um e-mail de um aluno da faculdade onde estudei perguntado se eu queria participar junto com ele do concurso. Nesse concurso deveríamos criar um jogo com o intuito de fomentar o empreendedorismo. Juntamente com mais um programador fizemos um jogo onde o jogador ajuda um vendedor ambulante a se sair bem em seus negócios na beira da praia. O jogo ficou bem legal e a temática praia foi fundamental para o sucesso do game.

 

6) Quais são os planos para o futuro nessa carreira de desenvolvedor de jogos digitais?

No momento estou desenvolvendo jogos por conta própria e com parcerias de amigos que conheci na faculdade. Ainda estou aprendendo a projetar jogos. Creio que num futuro não muito distante consiga fazer um jogo de sucesso e montar minha empresa.

 

Este é um espaço livre para deixar uma mensagem aos leitores do Fábrica de Jogos que pretendem atuar com jogos digitais:

Para aqueles que queiram atuar na área de desenvolvimento de games deixo a seguinte dica: procure outras pessoas que gostem de desenvolver jogos e junte-se a elas. Fazer jogo sozinho é possível, mas um bom jogo é muito difícil.

 

Obrigado e sucesso com seus games. Foi mais uma boa entrevista e vamos aprender mais com os profissionais nacionais aqui no Fábrica de Jogos.

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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