Entrevistas com profissionais da área de games: Victor e Rennan (Quasar Sound Work)

Entrevistas - Fábrica de Jogos   Quasar Sound Work

Voltamos com nossa coluna de entrevistas, o momento para você conhecer profissionais que atuam no setor de games, as suas trajetórias profissionais e aprender com eles.

Hoje entrevistamos Victor e Rennan, sócio-fundadores da Quasar Sound Work, uma empresa de trilha sonora para jogos digitais.

Vamos conhecer um pouco do trabalho deles e da experiência contada em nossa entrevista.

Quem entrevistamos?

Victor LeãoVictor Leão: Possui graduação em Música pela Universidade Estadual do Ceará com foco em piano erudito. Formado também no Curso de Extensão em Música pela Universidade Federal do Ceará, com ênfase na flauta doce. Foi professor temporário da Universidade Federal do Ceará de Flauta/Sopros, no período de abril de 2012 a fevereiro de 2013. Toca piano, quena, flauta doce e harmônica cromática. Foi aluno do Dr. Ewelter Rocha de composição e trilha sonora. Possui diversos cursos de composição, arranjo, harmonia, improvisação etc.

 

Rennan SampaioRennan Sampaio: Músico, compositor e produtor musical com foco em trilha sonora para jogos digitais. Possui bastante experiência no ramo de composição para jogos, trabalhando em títulos como iHitch e Amazing Goblin’s Workshop. Toca guitarra, violão, contrabaixo e teclado, permitindo uma enorme versatilidade em suas criações musicais. Estudou Music Composition Careers na Omid Academia de Audio e Mixagem e Masterização no Vianna Music.

 

Perguntas

1) Como vocês começaram a trabalhar com músicas voltadas para jogos digitais? Contem um pouco para nós dessa trajetória.

Victor: Há uns sete anos, eu já andava me aventurando no mundo das composições eletrônicas. Eu tinha um perfil no site Palco MP3 com algumas composições instrumentais e, um belo dia, um amigo me disse que as músicas pareciam com músicas para jogos. Na mesma hora acendeu uma luz: eu poderia unir duas coisas que adoro: composição e jogos. Foi aí que decidi fazer um jogo de RPG bem simples, só para poder compor músicas para ele. Chamei meu irmão, Marcos Paulo M. Leão, que também é compositor, para uma parceria. E assim fizemos a trilha sonora do jogo Piramidal. Só alguns anos vim a conhecer o Rennan e tivemos a ideia de montar a Quasar.

Rennan: Há 4 anos atrás, fui convidado para participar de um concurso de jogos digitais, mas meu foco não era composição para jogos. Eu sempre fui de tocar em bandas desde meus 15 anos de idade, então apareceu essa oportunidade de compor músicas para jogos e depois disso fui me aprofundando mais em estudar música. Anos depois, conheci o Victor por Internet, pois na época fui estudar Music Composition Careers na Omid Academia de Audio e nós tínhamos o mesmo interesse em montar uma empresa de trilha sonora para jogos e assim surgiu a Quasar Sound Work.

2) Qual a maior diferença em se trabalhar com músicas para games, comparando a produção para outros setores como publicidade, cinema, televisão etc?

Rennan: Nós já produzimos composições para outros setores, como vídeos de publicidade e animações em stop motion. Nós podemos dizer que realmente eles são totalmente diferentes e isso vai da forma de composição até como tratar com outros tipos de clientes de outro setores. O público alvo é diferente, a música terá que ser compatível ao vídeo e à categoria de idade dada pela agência.

3) Qual o trabalho que deixou vocês mais realizados?

Victor: Quanto mais alternativo é o projeto, mais eu gosto. Particularmente, adoro instrumentos musicais diferentes, como zampoña, shakuhachi, erhu, djembe, tabla etc. Adorei compor para todos os projetos, mas os que eu mais me identifiquei foram Piramidal e Templo de Brinquedos.

Rennan: Todos os trabalhos feitos até hoje me deixaram realizado, pois todo projeto é um desafio e é isso que nos motiva a trabalhar nessa área. Mas os projetos mais importantes que já compus foram: “The Amazing Goblin’s Workshop”, em processo final de desenvolvimento. Foi meu primeiro jogo de maior realização, depois veio “Templo de Brinquedos” (da RiHappy Games), pois ele segue uma linha bem diferente na trilha musical, diferente de todos os projetos que nós já fizemos.

Templo dos Brinquedos

4) Que referências um músico pode buscar na sua criação? Quais as suas ao produzir para games?

Victor: As referências são de suma importância para o êxito de um projeto, e uma boa bagagem – conhecer diversos jogos, escutar diversas trilhas sonoras e músicas de variados tipos etc. – é indispensável para escolher boas referências. Compor para uma obra sem referências, seja um jogo, um filme ou animação, é um “tiro no escuro”, você pode acertar ou se dar muito mal. É necessário conhecer o que já foi produzido no mesmo gênero antes, mesmo que você decida seguir um caminho totalmente diferente. Quando ficamos sabendo que iríamos compor para um jogo que se passava em pirâmides indígenas (Templo de Brinquedos, da RiHappy Games), fiquei logo feliz, pois sabia que o fato de já ter uma boa vivência de música indígena iria ajudar bastante nas escolhas de estilo e de referências.

5) Quais competências vocês acham essenciais um músico ter para produzir boas músicas?

Rennan: Para o músico ser um bom compositor, ele tem que estudar bastante, desde a teoria musical até o processo final da produção de uma música, a masterização. Serão alguns anos para aprender tudo isso. Além disso, você realmente precisa gostar de compor, estar disposto a passar horas na frente de um sintetizador ou computador, refazer o trabalho várias vezes, ser criativo e gostar de desafios.

6) Como vocês veem as possibilidades de trabalho de um músico hoje no Brasil, tanto para jogos digitais quanto outros meios?

Victor: Gosto de falar que música é como qualquer outra profissão, se você for bom no que faz, as portas vão se abrir. Claro que há fatores dificultantes, como a questão das pessoas não valorizarem os profissionais de artes no Brasil e o mercado de jogos digitais estar apenas engatinhando aqui. Esse último fator é bom e ruim ao mesmo tempo, já que a concorrência nacional é baixa, porém o mercado é pouco, assim como o número de profissionais.

Agradecemos pela participação de vocês em nossa coluna! Aguardem mais entrevistas, pessoal.

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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