Entrevistas: Daniel Moreira (Ludic Side Game Studio)

Temos mais uma entrevista bacana para vocês.

Dessa vez temos um pouco da experiência do Daniel Moreira, sócio-desenvolvedor da Ludic Side Game Studio.

Falamos, como sempre, da sua trajetória, mas também dos projetos e perspectivas de mercado no cenário nacional.

Leia tudo o que perguntamos para ele.

 

Quem entrevistamos?

Daniel Moreira – Possui formação em Técnico de Informástica, além de ter concluído 4 períodos de Sistemas de informação na PUC Minas. Atualmente é sócio-fundador da Ludic Side Game Studio, desenvolvendo jogos digitais. Contatos: danielmoreira@ludicside.com – contato@ludicside.com – Fanpage da Ludic Side

 

Perguntas

1) Como começa essa vontade de desenvolver jogos digitais? Quais os primeiros passos nesse setor da indústria do entretenimento?

Tudo começou no final de 2011. Eu e meu atual sócio (Luís Gustavo) fazíamos estágio numa empresa de software (Teknisa). Durante o trabalho, um colega que cursava Jogos Digitais nos apresentou um pouco sobre a área, mostrando como era o processo de desenvolvimento. Nossa empolgação com a área aliado ao nosso gosto por jogos fez com que abandonássemos o estágio para tentar empreender. Fomos selecionados em uma incubadora de empresas (FUMSOFT) e permanecemos por lá durante 1 ano e meio. O estúdio se chamava Cube Factory e lançamos um jogo (C-Bot Puzzle) durante o período.

Na metade de 2013, o período de incubação acabou e com isso a Cube Factory também encerrou as atividades.
Logo após o término da incubação, eu e o Luís fundamos a Ludic Side.

 

2) Quais habilidades considera importantes para atuar com jogos digitais? Tanto gerais quanto específicas de uma área de atuação dentro desse setor.

Acho que a principal delas é ser auto-didata, saber se virar por conta própria e aprender sozinho. A internet é um mar de conhecimento, então é só saber aproveitar. Outra coisa importantíssima é ser multidisciplinar. Não adianta focar apenas no que gosta, já que todas as áreas de atuação estão conectadas no processo de criação de um jogo. Falo isso também pra quem está pensando em mercado de trabalho, pois as empresas valorizam profissionais assim.

 

3) Como está a atuação de vocês no mercado de jogos na empresa Ludic Side em termos de aceitação do público e atuação (nacional e internacional)?

Atualmente temos 3 jogos lançados, todos disponíveis para Android e iOS. Nosso segundo jogo, Hotel Panic, foi o mais bem sucedido até o momento, tendo aproximadamente 60 mil instalações. Quanto às regiões, os países que mais fizeram o download do jogo foram: Irã, Indonésia, Estados Unidos, Filipinas, Malásia e Brasil.

Falando sobre outros projetos, fomos premiados nos dois concursos de jogos empreendedores que o Sebrae organizou. Na primeira edição ficamos em 3o lugar e na segunda ficamos em 6o lugar. A vitória nesses 2 concursos foi um grande incentivador para a empresa, tanto no lado motivacional quanto no financeiro. Em dezembro do ano passado desenvolvemos mais um jogo para a 3a edição do concurso e agora estamos aguardando o resultado.

Sobre nosso projeto atual, em 2014 o Ministério das Comunicações organizou um concurso chamado INOVApps, que selecionou 25 projetos de jogos com conteúdo educacional em variadas áreas. Ficamos em 14o lugar no concurso e atualmente estamos trabalhando nesse projeto. No jogo, da área de saúde, o jogador deverá interpretar um defensor do corpo humano e combater diferentes doenças espalhadas entre diversas regiões, sendo elas: ouvido, olhos, nariz, boca, pulmão, coração, estômago, pâncreas, intestino e bexiga.

 

4) Recentemente vocês divulgaram um novo jogo chamado Candy World Quest. Conte um pouco sobre o desenvolvimento dele, dificuldades, experiências obtidas…

Candy World Quest seria um projeto bem simples, previsto para ser concluído em menos de 2 meses. Assim que o desenvolvimento foi avançando, vimos o quanto as pessoas estavam gostando do jogo e percebemos o seu potencial. A partir daí repensamos a ideia inicial e decidimos transformá-lo em um jogo social (Integração com facebook, rankings, pedido/envio de itens para amigos, etc). O projeto acabou levando 8 meses pra ser concluído, mas o resultado ficou como o esperado. Uma boa parte do tempo foi gasto na integração com facebook e configuração do servidor, devido a inexperiência em jogos sociais, mas o lado bom disso tudo é que os próximos jogos desse tipo serão feitos com muito mais rapidez, já que essa parte está pronta e preparada para ser reutilizada em futuros projetos.

 

5) Qual foi o maior desafio que já passaram trabalhando com desenvolvimento de jogos?

O nosso maior desafio não foi algo particular de jogos, mas sim de qualquer empresa inciante. No começo, a empresa não gerava receita e tínhamos que gastar nosso próprio dinheiro para custear o desenvolvimento. Até a empresa começar a gerar receita foi um longo e árduo caminho e, se não tivéssemos persistido, não teríamos conquistado nada do que temos atualmente.

 

6) Muito se fala do potencial do mercado nacional, criatividade, desenvolvedores indies aparecendo em todos os lados. Afinal, como você avalia o estado atual do nosso mercado nacional? O que pode ainda ser feito para ficar melhor?

Os desenvolvedores nacionais estão cada vez melhores. Uma prova disso é que alguns jogos desenvolvidos aqui já não tem mais aquela “cara de jogo brasileiro”. Agora esses jogos já se misturam aos desenvolvidos lá fora, ficando difícil distinguir de onde veio. Isso mostra que a qualidade está muito boa.

Vejo uma melhora também no mercado nacional. Os brasileiros estão comprando cada vez mais jogos e plataformas como a Steam ajudam bastante nisso. A loja Google Play (Android) recentemente inseriu uma nova forma de pagamento no Brasil, agora eles aceitam cartões nacionais (Antes eles só aceitavam internacionais) e isso pode impulsionar as vendas de jogos e conteúdos por aqui.

 

Este é um espaço livre para deixar uma mensagem aos leitores do Fábrica de Jogos que pretendem atuar com jogos digitais:

Como já dito anteriormente, recomendo fortemente que busquem ser multidisciplinares e que aprendam por conta própria. Não adianta, por exemplo, fazer um curso superior e ficar limitado apenas ao que é ensinado dentro de sala. Busquem conhecimento, pois a internet está cheia.

Uma dica valiosa que os iniciantes ignoram na maioria das vezes é: Comece pequeno! Você não tem equipe e nem dinheiro para desenvolver um novo GTA ou Call of Duty e, mesmo se tivesse, faltaria experiência.

Essa área é muito prazerosa de se trabalhar, mas não espere vida fácil. Você não vai passar o dia inteiro jogando.

Caso tenham alguma pergunta, fiquem à vontade para entrar em contato por e-mail ou por nossa página no facebook. Responderemos com o maior prazer.

Um abraço a todos.

 

E nós do Fábrica agradecemos pela sua participação.

Sucesso a todos os desenvolvedores nacionais e até a próxima, pessoal.

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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