Entrevistas: Marlon Souza (Playmove)

Em mais uma entrevista para o Fábrica, exploramos dessa vez o universo dos jogos educacionais.

Marlon Souza, Diretor Executivo da Playmove, fala um pouco de sua trajetória, o negócio, a produção de jogos educacionais e seus produtos nesse enfoque.

Vamos conferir o que perguntamos a ele.

Quem entrevistamos?

marlon_playtableMarlon Souza: Formado em comunicação social, com MBA em gestão de TI, é um profissional com mais de 25 anos de experiência na área de tecnologia. Em sua carreira, já coordenou projetos para empresas como Ambev, Bunge, General Motors, WEG e muitas outras líderes em seus segmentos. Como um dos pioneiros da Internet no Brasil, esteve à frente de projetos como o primeiro portal mundial de venda de carros online para a GM e o primeiro portal de internet grátis e um dos maiores portais de conteúdo no Brasil, o iG. Entusiasta e palestrante nas áreas de inovação, tecnologia e marketing digital, Marlon é também professor de pós-graduação e possui negócios de desenvolvimento mobile, jogos e soluções web. É o criador da PlayTable, primeira mesa digital com jogos educativos do Brasil, e diretor executivo da Playmove.

Contatos: (47) 3326-5116 / (47) 3288-1626

 

Entrevista com Marlon Souza (Playmove)

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1) Como se inicia a trajetória com o enfoque em produção de jogos digitais?

Desde 2009, com a minha entrada como sócio da Morphy, iniciei mais fortemente a atuação junto a jogos voltados à  divulgação de marcas (advergames) e ações para ativação em feiras e eventos. Naquela época nosso foco era nos jogos casuais, que prendessem a atenção do visitante do evento ou do consumidor online, que fossem rápidos de aprender e com desafio suficiente para engajar os jogadores. No entanto, não poderiam ser jogos longos ou muito complexos, pelo curto tempo disponível para o desenvolvimento e pela verba normalmente limitada para estas ações.

A partir da criação da PlayTable, nossa mesa digital voltada à educação de crianças, passei a lidar com o universo dos jogos de propósito, que têm um objetivo específico: transmitir um conhecimento pedagógico ou trabalhar habilidades cognitivas das crianças. Ainda são jogos casuais, mas com mais tempo de elaboração e desenvolvimento.

 

2) Quais competências são necessárias para atuar na produção de jogos digitais educacionais?

É importante a participação de um time multidisciplinar, pois, além de todos os conhecimentos e competências para o desenvolvimento do jogo em si, ainda existe a preocupação com o lado pedagógico do jogo, com o que e como ele vai ensinar ou trabalhar na criança. Para isto, além dos técnicos especialistas na produção de jogos, como game designer, ilustrador ou programador, ainda contamos com o apoio de professores, pesquisadores e pedagogos, que nos orientam em como apresentar o conteúdo e trabalhar as habilidades das crianças.

 

3) Qual é o negócio da Playmove e seu diferencial? Quais projetos estão no mercado?

A base do negócio da Playmove está na PlayTable, nossa mesa digital. É por meio dela que levamos nossos jogos às mais distantes escolas do Brasil e atingimos crianças de diferentes regiões do país. Hoje a Playmove, com a PlayTable, não tem um concorrente direto, pois estamos criando nosso próprio ecossistema de jogos, que inclui hardware, software e jogos próprios.

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4) Como o produto de vocês consegue se adequar aos públicos de escolas particulares e públicas, em termos de recursos financeiros, estrutura, hardware e software disponíveis lá?

Não usamos a internet, os tablets ou os computadores das escolas, mas entregamos uma solução física completamente diferente e com uma solução de software e jogos totalmente integrada. Além disso nosso hardware é 100% aderente às escolas brasileiras, tanto em resistência quanto no formato adequado ao uso coletivo em sala de aula. Temos atualmente 18 jogos disponíveis para a PlayTable, mas pretendemos chegar a 30 ainda este ano e triplicar este número em 2016, com o apoio de parceiros e estúdios de jogos do Brasil e de outros países.

 

5) Algumas publicações falam que os jogos educativos tendem a ser muito educacionais, pouco divertidos. Já os de entretenimento são muito divertidos, porém não foram pensados com o propósito de educação. Como equilibrar a diversão e o aprendizado no desenvolvimento, na visão de vocês?

A base do nosso negócio é o conceito de que a criança aprende brincando. A ludopedagogia trata disso, afirmando que ao se divertir, a criança fica mais receptiva aos estímulos cognitivos e ao conhecimento apresentado a elas. Desta forma, a PlayTable pode ser usada dentro da sala de aula, no contra-turno, como reforço escolar, ou mesmo para a inclusão de crianças com algum tipo de deficiência.

Nosso pensamento está sempre em fazer jogos divertidos, com qualidade visual, mecânicas e dinâmicas que atraiam e cativem as crianças para que permaneçam jogando. A parte pedagógica e o conteúdo propriamente ditos são colocados depois, como os tijolos preenchendo as paredes, mas a estrutura é sempre a diversão. Se for divertido, a criança brinca e, se brincar, ela aprende.

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6) Como vocês visualizam esse mercado de jogos educacionais e as tendências para o futuro da educação nesse sentido?

Este é um mercado que sofre muito com o preconceito, inclusive de quem cria jogos. Se você perguntar numa universidade especializada em jogos quem quer trabalhar com jogos educativos, uma minoria se manifesta. No entanto, quando apresentamos a proposta de fazer jogos educativos com qualidade, com liberdade de criação, com mecânicas elaboradas e em uma estrutura similar aos de outros estúdios de jogos de entretenimento, as pessoas ficam encantadas e entram com tudo no desafio.

Acreditamos que o futuro da educação passa por novas formas de ensinar e de conquistar o engajamento dos alunos. Os jogos são uma grande ferramenta neste sentido, assim como o ensino híbrido, os laboratórios “maker” e outras experiências presentes em países como o Canadá ou a Finlândia e que começam a chegar por aqui. É uma questão de tempo para que os jogos ganhem um papel protagonista na relação ensino-aprendizagem.

 

Este é um espaço livre para deixar uma mensagem aos leitores do Fábrica de Jogos que pretendem atuar com jogos digitais:

O nosso recado é que olhem com atenção especial ao mercado de jogos educativos, sem preconceitos e como uma forma de ampliar os resultados dos jogos para além do entretenimento. A recompensa de um jogo educativo bem feito vai além do reconhecimento dos jogadores, passando pela percepção de que os alunos estão se desempenhando melhor com a contribuição dos jogos desenvolvidos por nós.

Nosso programa de parceiros para o desenvolvimento de jogos para a PlayTable oferece condições tão atraentes quanto as oferecidas por grandes plataformas, como os jogos de console ou mobile. Além disso, existe um mercado gigante para a inovação na área de educação que pode também envolver jogos digitais.

Agradecemos pela participação na entrevista, desejamos sucesso e você, leitor, se quiser conhecer mais, seguem acessos:

Um abraço a todos e até a próxima entrevista.

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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