Entrevistas: Victor Leão (Cuca Games)

Já começamos nosso 2015 com mais entrevistas de nossos desenvolvedores tupiniquins.

Para abrir o novo ano, trazemos o Victor Leão para falar sobre sua experiência, mas também do projeto atual de game que trabalha chamado “Carrapatos e Catapultas”. O jogo é baseado no desenho de mesmo nome.

Vamos conferir o que ele respondeu ao Fábrica de Jogos.

 

Quem entrevistamos?

Diretor-chefe da equipe Cuca Games Development, também trabalha como audio engineer na Quasar Sound Work. Formado em música pela Universidade Estadual do Ceará.

 

 

1) Como vocês começaram na indústria de jogos digitais? Conte um pouco dessa trajetória.

Começamos em meados de 2013. Eu já trabalhava com o Rennan Leon na Quasar, então pensei “por que não fazer uma equipe de game dev?”. Aí passei muito tempo recrutando gente — pois é difícil achar pessoal responsável, e então começamos. O Felipe Fonseca e o Jonas Nascimento estão desde a primeira formação. O Leonardo Galhardo também está há muito tempo. Começamos desenvolvendo um jogo para testar nossa capacidade, intitulado Snail. Aprendemos bastante e pudemos tirar boas lições dele. O importante, após terminar um projeto, é fazer um balanço do que foi positivo e negativo, é aprender com os erros e acertos. Ficar triste por que o jogo não ficou do nível desejado ou por que o público alcançado foi pequeno não adianta.

 

2) Quais competências vocês acham essenciais para quem quer desenvolver um jogo digital?

O mais importante de tudo, é ter muita garra e vontade de trabalhar com desenvolvimento de jogos. É comum as pessoas acharem que desenvolver jogos é apenas um hobbie, um divertimento, mas não é. É trabalhoso, cansativo e dispendioso como qualquer outro trabalho (é bem cansativo, para falar a verdade). Então tem que ter muita vontade. Depois vem a criatividade, a pró-atividade etc. Também é muito comum que as pessoas que estão se iniciando no mundo do game dev quererem fazer jogos que elas gostariam de jogar. Temos que buscar o equilíbrio, balancear isso. É um lance meio budista, o caminho do meio: não podemos fazer um jogo somente para nos agradar, por que senão corremos o risco de ninguém gostar; e também não podemos fazer um jogo somente para o público gostar, provavelmente a equipe fique desmotivada durante o desenvolvimento. Tem que buscar o equilíbrio.

 

3) Qual a expertise da equipe de vocês em termos de competências e games já desenvolvidos?

Ainda somos uma equipe nova, vamos fazer dois anos ainda. Porém, isso não nos impede de criar bons jogos, apenas torna o processo bem mais trabalhoso. Quando uma empresa possui muita experiência e tradição em um ramo, é natural que ela consiga com mais facilidade prever as chances de sucesso ou fracasso de um projeto. Uma empresa nova não, é na tentativa e erro mesmo. Só depois de passar mais de um ano desenvolvendo um projeto é que você vai descobrir o que não deveria ter feito, ou como ele deveria ser. Não tem como prever, é quebrando a cara mesmo. Mas isso não nos desestimula, somos brasileiros e não desistimos nunca (risos).

 

4) Sobre o game Carrapatos e Catapultas, como surgiu a oportunidade de desenvolver um game para esse desenho?

Tudo começou quando o criador da série Carrapatos e Catapultas, Almir Correia (da Zoom Elefante), viu nosso trabalho quando ainda estávamos fazendo nosso primeiro projeto, Snail. Apesar do jogo não ter sido exatamente um sucesso, sua arte ficou surpreendente, assim como a trilha sonora, feita pela Quasar Sound Work, empresa em que trabalho juntamente com Rennan Sampaio. Então, em uma conversa, Almir sugeriu que fizéssemos um jogo da série. Claro que topamos na hora. E outras parcerias com a Zoom Elefante estão chegando. O que gosto no Almir é que ele é hiperativo, como eu. Minha cabeça nunca para, tenho que me concentrar para conseguir dormir à noite.

 

5) O que difere um processo de desenvolvimento de um game baseado em algo já existente (desenho animado) em termos de etapas de produção, contato com cliente, direitos autorais e outras peculiaridades?

Nesse caso específico de fazer o jogo do desenho Carrapatos e Catapultas, houveram algumas diferenças se compararmos com o desenvolvimento de projetos totalmente criados por nós. O principal é que o roteiro é criado ou adaptado a partir de um cenário já existente, com personagens já existentes. Creio que isso torne o trabalho mais rápido para o nosso roteirista (Jonas Nascimento), porém já para a arte não podemos dizer o mesmo, já que os desenhistas (ou “2d artists”, como preferem ser chamados) têm que se adaptar a um estilo e estética já criados por outro artista. No demais está sendo tudo tranquilo, trabalhar com o Almir é muito “relax”.

 

6) Quais as perspectivas que vocês almejam com o projeto de game atual de vocês? Pretendemos fazer mais jogos! (risos) Bom, esperamos que o público curta o jogo, que vai ser totalmente gratuito. Eu e o Almir já estamos planejando mais parcerias futuramente, e também espero que possamos fazer projetos também de outros produtos nacionais, assim teremos a oportunidade de crescermos juntos.

 

Este é um espaço livre para deixar uma mensagem aos leitores do Fábrica de Jogos que pretendem atuar com jogos digitais:

Nunca desista e nunca ache que você é bom. Desistir nunca te fará bom em algo, e se achar bom nunca te tornará melhor ainda, pois quem se acha bom não busca melhorar.

Muito obrigado pela participação em nossa coluna!

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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