Gameficação na educação: divertindo sua aula com elementos de jogos

GamificationFaça o Curso Uso e Desenvolvimento de Jogos Educativos do Fábrica de Jogos

O cenário atual demonstra uma nova geração totalmente plugada nas tecnologias da informação e comunicação.

A escola, em toda a sua estrutura ainda moldada a um modelo antigo e ultrapassado, tenta se adaptar a essa nova realidade, mas vem passado por tempos difíceis.

O objetivo desse artigo é trazer uma abordagem que desenvolvi em sala de aula e que consegue conciliar um pouco do ensino com diversão por meio da gameficação. Vai ser muito mais uma experiência e análise minha.

Para o educador é uma oportunidade de ver uma nova prática em sala de aula. Ao desenvolvedor de jogos, uma abordagem diferente para uma técnica que nós conhecemos muito bem.

Sabe o que é gameficação?

Pode ser que você que lê esse artigo ainda não saiba esse conceito. Dessa forma, oriento você a ler o nosso artigo do Fábrica de Jogos.

Abordo todo o conceito e origem, principalmente vindo da área comercial para engajar mais os clientes.

Será que não podemos também engajar mais os alunos em sala de aula?

Nativos e Imigrantes Digitais

Nativos e Imigrantes DigitaisAs novas gerações, também chamadas de nativos digitais, estão interagindo constantemente em redes sociais, smartphones, computadores robustos, videogames etc. Esses são apenas alguns elementos que compõem esse mundo de possibilidades de interação. Essa geração nasceu com essas tecnologias e entende a linguagem utilizada.

Já os imigrantes estão tentando entender esse novo cenário e até interagem devido às obrigações do mundo atual, mas existe dificuldade em compreendê-la como um todo.

Os nativos são imediatistas como a tecnologia que surge rapidamente, ambiciosos, necessitam de feedback constante e enxergam mais o resultado, não o processo, além das recompensas.

Percebem o conflito de gerações que isso causa?

Muitas vezes se atribui culpa ao professor, por não saber trabalhar com essa geração, ou ao aluno, por não querer mais “nada com nada”. Na verdade, o que ocorre é que a educação precisa de uma reforma que mude sua forma de ensino-aprendizagem em termos de legislação, ementas, constituições de cursos, ambiente estrutural, recursos didáticos, capacitação docente e outros. Como nosso foco não é entrar numa discussão sobre revolução educacional, vou focar no seguinte: vamos fazer o que temos em mãos rapidamente e já traz resultados: gameficação pode ser uma forma de ajudar a tornar suas aulas mais interessantes. A técnica tem muita coerência com esse perfil dos nativos digitais.

Construção de ensino-aprendizagem baseada na gameficação

Irei apresentar algumas diretrizes que realizei ao criar uma aula gameficada, trazendo resultados bem positivos para as minhas aulas, tanto com base no meu trabalho de pós-graduação (comento sobre ele nesse artigo) quanto atualmente.

Perfil de Jogadores: o primeiro passo é procurar atender a todos os tipos de jogadores, como visto no artigo sobre gameficação. Temos em sala alunos realizadores, exploradores, socializadores e predadores. Para cada perfil, uma abordagem de elementos de games é necessária. Também se preocupe com as diversas formas de aprender, diversificando as práticas realizadas na gameficação da aula. Temos alunos auditivos, visuais ou sinestésicos.

Trabalho em Equipe: faça-os trabalhar em equipe, mas competindo com outras. Eles precisam se socializar bastante, ajudar uns aos outros. Você vai perceber o auto-gerenciamento acontecendo para ganhar a competição, mas também a cooperação entre eles para conseguir serem os melhores no ranking de pontos.

Pontuação e Ranking: Você pode utilizar pontuação para pontuar suas atividades com base em critérios de avaliação. Já se faz isso com notas portanto, transforme o mesmo conceito em pontos de jogo. Dessa forma, você consegue gerar rankings de pontos entre alunos ou equipes. Mas cuidado: se perceber uma equipe que está ficando muito para trás no ranking, crie formas de ela poder retomar a competição. Não podemos deixar o aluno cair na frustração durante a realização da atividade gameficada.

Desafios e Missões claras: o nome já diz: desafio. Tem que envolver a resolução de um problema complexo com prazo bem definido, mas viável. O objetivo também tem que estar claro. Atenção em passar sempre algo dentro das competências dos alunos, afinal não desejamos frustração, mas também algo não muito fácil, pois tédio está fora do nosso foco.

Progresso e Feedback: apresente o status de cada aluno na gameficação, o que ele já fez, pontos fortes dele e oportunidades de melhoria. É importante que seja constante, pois eles querem feedback dessa forma. Eu faço a cada fim de fase da gameficação. Percebem-se muitas melhorias nesse sentido.

Achievements e badges: missões especiais e fora da principal, incentivam o aluno a ser mais pró-ativo e valoriza esse tipo de atitude. Crie atividades que ele pode realizar a qualquer momento da aula e conseguir pontos. Faça uma listagem delas e vá dando o status quando ele cumpre uma. Ele vai se preocupar em fechar sua coleção de badges, comparar com outros colegas para competir e se tornar um aluno melhor. Pense bem em alinhar ao seu objetivo. Eu faço sempre uns gerais como frequência 100%, aluno boa conduta (professor nenhum fala mal ou reclama dele), nenhuma nota abaixo de 7, realizou todas as tarefas, líder de equipe, montou um mascote para a equipe e outras que você achar pertinente.

Presentes/Premiação: pensar em premiar os que se destacaram na gameficação é legal. Prêmios e presentes são bem-vindos. Pode ser ao final, fechando o podium do ranking. Porém lembre-se de agraciar os outros pela participação na atividade também. Nem que seja algo pequeno, mas é importante valorizar o esforço e dedicação de todos.

Algumas aplicações da técnica realizada e resultados obtidos

Jogo Detetive Virtual - Enfrentando o Chefão com o ExcelAdotei na pós-graduação essa abordagem com minhas atividades de informática básica. Chamei de “Detetive Virtual. Os alunos desvendavam uma história em busca de um criminoso fictício. Saber quem é e o seu paradeiro exigia deles os conhecimentos e habilidades de informática básica. Criei um sistema de pontuação e ranking, socializei os alunos, deixei bem claras as regras e desafios propostos e fiz diversas abordagens para variar o trabalho na turma. O resultado: tive uma aceitação bem grande nas aulas (você pode ver no apêndice/anexos do trabalho), aplicando com aproximadamente 120 alunos, além de garantir a aprendizagem que precisava passar na unidade. Depois da pós, apliquei com mais turmas, chegando a um número de mais de 400 alunos. Um percentual de menos de 10% não gostou da prática. Quanto ao aprendizado, fiz outras avaliações ditas tradicionais e o resultado foi positivo: eles aprenderam.

Estou trabalhando atualmente em outra abordagem com alunos de programação. Dessa vez usei todas as abordagens mencionadas, pois os achievements e badges foram abordagens muito pouco usados no meu trabalho de pós. Já percebi mudança na conduta deles perante comprometimento, auto-gerenciamento, grupos de estudo internos montaram para ir bem na atividade entre outras boas mudanças. Também deixo claro que minha aula utiliza outras práticas além da gameficação, mas 60% está nesse formato.

Essa é uma fórmula mágica?

Para encerrar o artigo, é importante ressaltar que essa não é uma fórmula mágica que irá resolver todos os seus problemas. Existirão sempre alunos que não se adaptarão e essa forma de conduzir sua aula. Na minha prática, foram poucos, mas devem ser considerados e deve se ter um plano de contingência para eles.

Também é importante a aplicação das técnicas de forma integrada. Nada adianta só fazer ranking e pontuação e achar que já está fazendo a gameficação. Você não irá privilegiar todos os perfis, banalizará a técnica e utilizará essa abordagem de forma superficial, não aproveitando todo o potencial que ela pode oferecer.

A aula também pode usar abordagens fora da gameficação. Não é necessário a aula inteira funcionar com base nessa forma. É ideal até não utilizar totalmente, pois nem todos são adeptos dos conceitos de games.

Claro que montar tudo isso dá mais trabalho que uma aula tradicional expositiva, porém eu prefiro fazer isso a ter que ficar chamando atenção, o famoso “chiiiiu” e estressar-me com alunos desinteressados.

Veja esse vídeo e saiba mais:

As referências constam em vídeos e links na própria postagem. Outras se baseiam em minha experiência.

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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