Gamers: Capítulo 67: O passado de Game Over – A Formação do Império de Virtual Boy

A batalha contra V.B. teve o seu início. Os escolhidos foram derrotados por ele facilmente, pois ainda não tinham conseguido se recuperar das lutas anteriores.

Diógenes estava prestes a ser o primeiro a morrer, mas foi salvo por DualShock. O general se confronta com V.B., mas o vilão conquista confiança dele para um golpe mortal. Depois, V.B. conta como matou a família do general para o atrair para Game Over, virando cobaia do experimento de periféricos para humanos e ganhando um general muito fiel.

No final, Dualshock foi morto por seu mestre e V.B. revelou-se como Virtual Boy.

O que vai acontecer? Bem, antes vamos visitar o passado.

Gamers: Capítulo 67: O passado de Game Over – A Formação do Império de Virtual Boy

Mais um ônibus espacial repleto de periféricos abandonados, personagens esquecidos ou velhos. Essa era a viagem de muitos para o planeta Game Over. Quando jogadores deixavam de lado um game ou joystick, o destino deles era ir a esse planeta, mesmo que faziam um remake. Afinal, quem vai para Game Over, não volta mais aos planetas principais. Faz um tour rápido pelo centro de tudo – Planeta Start e seus vizinhos – e depois volta para lá. São normas a serem seguidas, sujeitas a punição vindas dos governantes de Start.

As viagens para entrada e saída de Game Over ocorriam por ônibus espaciais como esses. Fácil de ir para lá, mas a saída desse planeta não era da mesma forma. Somente com autorização expressa de Start alguém poderia sair de Game Over ou pelas surdinas, mas ambas as formas com pedras continue.

VB_Virtual_BoyDentre essas viagens de ida para esse planeta, estavam vários Virtual Boys em um ônibus espacial, em especial aquele V.B. que conhecemos muito bem. Virtual Boy foi um console lançado pela Nintendo, mas estava muito à frente de sua época e foi rejeitado pelos jogadores pelo seu custo e outros fatores. Somente permitia duas cores – vermelha e preta – e, se ficasse por muito tempo jogando, causava dores de cabeça. Crianças com menos de 7 anos não podiam jogar, pois poderiam prejudicar o desenvolvimento dos olhos. Em resumo, uma fórmula para o fracasso, leitor.

V.B. estava com seu destino traçado a ficar em Game Over para sempre. Era arrogante e não admitia aquele destino para eles em tão pouco tempo. Como não podiam entender a magnitude do avanço de Virtual Boy? Ele mudou a forma de jogo… Jogadores imbecis que não entendem isso!

O ônibus adentrou Game Over e estacionou na Vila do Repouso – atual lugar dos Plebeus Resignados. Era um lugar pacífico, bonito e muito tranquilo. A cidade acontecia ali, além de várias transações comerciais com outras regiões. Game Over tinha um ar belo, nada parecido com o cenário atual e o que seu próprio nome possa sugerir.

V.B. olha para aquilo com ódio, pois vê vários periféricos e personagens de jogos ali felizes. Como podem admitir essa condição? Por que essa odiosa felicidade?

Todos os Virtual Boys saíram do ônibus e V.B. tomou a frente de todos e gritou:

– Vocês… Vocês vão admitir esse destino? Nós somos melhores que isso. Somos a revolução nos videogames! Aqueles jogadores que são uns ignorantes… Não entendem nossa magnitude!

Os Virtual Boys deixam V.B. falando sozinho, alguns até esbarram nele, e seguem para a Vila do Repouso. Estavam empolgados com o novo lar e o que poderiam fazer. Um deles aproxima-se de V.B. e diz:

– Venha conosco. Não adianta lutar sobre a ordem natural das coisas. Nós não demos certo e estamos destinados a ficar aqui, em paz. Se formos contra, poderemos ser penalizados ou a Galáxia Gamer pode acionar a segurança dos escolhidos. Nunca ouviu a lenda?

– Essa lenda… – V.B. se afasta dele e vira a cara. – Bobagens!

Não podia aceitar tal destino. Via felicidade em todo o lugar. Como uma prisão como aquela poderia ser assim? Preferia muito mais os holofotes dos jogadores, o glamour do seu lançamento e as energias recebidas por todo aquele mundo especial de estar no mercado, atuante para os gamers.

Nesse sentido, quatro outros periféricos viram a revolta de V.B. e se reuniram com ele.

– Vejo que temos aqui alguém que enxerga nossa visão – diz M.

– Finalmente… quero sair daqui! – diz Z.

– Esse buraco está me enchendo – reclama TP.

– Qual o seu nome, novato? – pergunta DS.

– Virtual Boy, número de série 1435.

Parece que nosso futuro vilão estava encontrando os seus generais. Eles ainda não tinham forma humana, nem DS estava acoplado e controlado pelo humano que amava Diógenes como filho. Eram simples periféricos que flutuavam para andar e estavam em suas formas originais. Não representavam todos da sua família de periféricos, mas certamente compartilhavam os sentimentos de V.B.

– O que você pretende fazer, novato? – pergunta TP.

– Vejo que é bem petulante e cheio de marra – afirma M., sorrindo para ele. – Gostei!

– Eu tenho um plano, mas pode dar bastante trabalho e exigir tempo. Porém, em longo prazo poderemos colher frutos poderosos. Aliem-se a mim e não irão se arrepender. Eu não posso aceitar essa condição.

Os quatro ficaram pensativos, mas, sinceramente, não tinham nada a perder. Toparam o desafio. Virtual Boy estava planejando conquistar seguidores e entender os mecanismos de funcionamento de Game Over, entradas e saídas, fluxo de ônibus espaciais, acessos os mais diversos, os mundos e suas peculiaridades.

Com todo esse estudo, ele conseguiu traçar planos e formas de, aos poucos, manipular os seres daquele planeta. O argumento era reforçar que Game Over era ruim e que lá fora havia algo muito melhor esperando. Estavam sendo vetados disso.

As tentativas foram muitas, mas conseguiram aliados e formaram um grupo que ia argumentando, convencendo cada um deles e prometendo um futuro melhor para Game Over. A liberdade daquele planeta era o foco principal.

gameover_continueTambém VB entendeu o sistema de passagem de Game Over via pedra de continue, mas precisava conquistar internamente para depois partir para fora.

Aos poucos, Virtual Boy tinha mais aliados do que adversários. Formou um exército fiel para si, mas precisava se reforçar e de ajuda externa.

Para isso, criaram um plano para raptar visitantes de Game Over. Roubaram pedras continue, os ônibus espaciais não voltavam mais do planeta, cientistas eram raptados e trabalhavam forçadamente para ele. Todos vinham ao planeta Game Over e não voltavam mais.

Foram nesses raptos que conseguiram cientistas para escravizar. Assim, formas poderosas e humanoides agregando periféricos poderosos foram criados para V.B e os outros quatro periféricos que o apoiavam. Quem não concordava com o sistema deles era raptado, ia às prisões que construíram: os Limbos da Exclusão. Argumentavam que esses traidores podiam atrapalhar o foco do movimento.

Quando V.B. e seus generais tinham poderes maiores, dominaram Game Over absolutos.

Enquanto isso, os movimentos do planeta incomodavam bastante os habitantes de locais vizinhos. Sentiam que algo errado acontecia lá. Ninguém que ia para lá voltava e a Galáxia Gamer perdia o seu equilíbrio, fazendo sentido o acionamento da defesa natural dos escolhidos. Os jogadores iniciavam um movimento retrô, sem muitos jogos novos e deixando a galáxia com pouca força.

Em paralelo, V.B. e seus generais viajaram vários planetas, buscando apoio para experimentos especiais, mutações, controles mentais para um plano ainda maior. Conseguiram vilões que aderiram ao plano, com o sonho de serem governantes dos planetas que estavam.

As alianças permitiram um novo tipo de periférico que se acoplava a humanos. Mas, precisavam de um para testes.

Virtual Boy viajou à Terra, encontrando o humano de DS e criando tudo aquilo que já sabemos, leitor. Levando-o à Galáxia Gamer, ele foi acoplado ao DualShock, sendo que o periférico antigo perdeu a consciência, sendo governado por esse humano muito grato a V.B.

Foi um sucesso e várias mutações foram feitas com outros periféricos. Guardas, monstros e outros seres foram criados com isso, mas Virtual Boy ainda não tinha tudo: precisava de um controle mental. Seria importante para a conquista dos planetas.

– Afinal, aquela lenda dos escolhidos tem se mostrado verdade. Logo, vamos ter que provocar um caos interno para atrair os escolhidos para cá – fala V.B. – Sei que Peach sabe e ela é a guardiã de tal lenda. Se começarmos a provocar rupturas nesse mundo, vamos pressioná-la a acioná-los. Os poderes deles são imensuráveis, uma vez que os liberarem e aprenderem aqui na Galáxia Gamer a lidar com eles. Absorvendo os poderes deles, vou ser absoluto e vamos garantir nosso lugar muito perto dos holofotes dos nossos jogadores. Restabelecerei o equilíbrio da Galáxia Gamer para o nosso lado.

Virtual Boy era admirado por seus subordinados. Ninguém botava muita fé em suas ideias, mas, aos poucos, ele começou a construir um império sólido. Cada vez mais ele aumentava territórios e ficava mais forte. A forma de Virtual Boy, principalmente, era monstruosa. Foram tantos experimentos que ele possuía uma força descomunal. Não só Virtual Boy lhe deu poderes, mas outros equipamentos: consoles, periféricos e personagens. Era um Frankenstein dos games. Mesmo assim queria mais e a lenda dos escolhidos parecia ser o poder supremo que ele precisava.

Fanfic

A pressão foi aumentando aos bons, que ainda permaneciam conscientes na Galáxia Gamer. Foi chegando o momento de invadir o Reino de Mushroom, lar de Peach. Tentaram negociar com Bowser, mas ele não foi muito cooperativo. Tiveram que controlá-lo com poderes mentais. Assim, ordenaram que Bowser fosse atrás de Mario, Luigi e Peach com a nova arma digitalizadora que lhe entregaram. Iniciam-se as prisões dos famosos heróis dos games.

– Dessa forma, Peach vai acionar o gatilho que precisamos: os escolhidos. Enquanto isso, DS… fique de olho no Reino de Mushroom. Se vir a ação dos amuletos e do mensageiro aja antes, para que um dos escolhidos seja nosso. Afinal, com eles sozinhos já consigo prevenir problemas futuros maiores.

Dessa forma, Peach acionou o chamado dos escolhidos, a estrela foi capturada por DS e manipulada… e o resto você já sabe.

 

 

– Foram anos de trabalho e conquistas para termos a liberdade tão almejada – dizia Virtual Boy, bravo, já nos tempos atuais.

Ele olhava para os escolhidos caídos, com prazer. Sentia-se poderoso e satisfeito de que não foi em vão o que começou no passado.

Enquanto isso, os heróis dos games formaram um círculo e estavam de mãos dadas, entoando dizeres.

– O que estão fazendo? – pergunta, intrigado, Virtual Boy.

A resposta foi imediata. Estavam reunindo energias e, do círculo, saiu uma energia bem poderosa. Ela foi atingindo cada um dos seis escolhidos, recuperando as forças deles e os renovando para a batalha.

Ao final do processo, os heróis caíram desgastados, pois doaram seus poderes e energia para curarem seus escolhidos. V.B. ficou furioso:

– O que vocês fizeram? Seus malditos! – apontou uma arma, formada na sua mão direita, para Mario, Luigi e os outros.

– Ei, V.B.. Ainda não terminamos – chama Mario.

– Acha mesmo que paramos por aqui? – diz, determinada, Tamires.

– Você não vale nada. É muito mau – xinga Roberta.

– Quero quebrar a sua cara – intima Sandro.

– Um soco seria melhor – diz, George, apoiando o amigo.

Todos os seis escolhidos estavam em formação de batalha.

– Você de fato formou um império, Virtual Boy – diz Diógenes. – Agora faz sentido. Mas, saiba que todos os impérios foram para o buraco na história. O seu será apenas mais um deles. Farei isso por Dualshock! Seu… – sorri com ar de deboche. – Videogame fracassado.

Virtual Boy fica com mais raiva ainda. Seus dentes cerrados e a expressão facial demonstravam isso, fora seu ki negro ficando mais intenso, o chão afundando em seus pés e as mãos fechadas.

– Nós somos a defesa natural de Game Over – diz Mario. – E seremos nós que vamos acabar com o vírus que se instalou nessa Galáxia: VOCÊ! – aponta para V.B.

A confiança nos escolhidos é estabelecida. Uma nova batalha está para começar. Força, escolhidos! O futuro da Galáxia Gamer depende de vocês.

 Continua…

Próximo Capítulo: A união de fato faz a força – A defesa conjunta dos escolhidos pela Galáxia Gamer

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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