Indie Game no Brasil: Os Desafios da Produção

Indie Game é o termo em inglês para caracterizar jogos independentes, ou seja, games que foram desenvolvidos sem a intervenção ou demanda de publishers (distribuidora) que acabam direcionando os jogos para o que querem. Também possuem equipes pequenas e baixo orçamento. Claro que deu uma grande autonomia de criação ao desenvolvedor e permitiu inovar para jogos mais ousados e fora do padrão. Afinal, o indie game dev poderia ousar mais pelo baixo risco que ele corria. As publishers querem aquilo que tem garantia de venda e isso limita a criação mais ousada dos indies.

Logo, trago neste artigo um pouco da visão do indie game e seus desenvolvedores (indie game dev). Abordo o surgimento deles, o cenário internacional e nacional desses desenvolvedores, Além disso, os desafios, na minha visão, para termos uma indústria mais sólida no Brasil e amadurecermos ainda mais.

Como surgem os indie games?

Segundo o site Coruja Informa, os indie games surgiram nos PC, pois eram mais acessíveis aos desenvolvedores. No início da década de 90, os sharewares – softwares sem cobrança ao usuário – se popularizaram e isso contribuiu com os indies na época. Também acrescento aqui minha experiência nessa época com motores como RPG Maker que tornaram isso possível. Amador, mas possível.

Teve uma lacuna de estagnação devido às novas exigências do desenvolvimento impossíveis para uma pessoa só ou equipes menores. Mas mesmo assim, em 1998 houve o Independent Game Festival (IGF), colocando sua bandeira nos indies.

Assim, em 2010 houve uma retomada novamente mais forte devido ao aumento das equipes de desenvolvimento de indie games graças à internet. Fora as vendas online e acesso às ferramentas de desenvolvimento mais facilitados.

Isso tomou proporções interessantes para a indústria, pois trouxe inovação com o indie game. Tanto foi que as publishers começaram a criar seções específicas para atender esta demanda, pois já não podiam impedir esse avanço. O que foi ótimo para trazermos novas propostas aos indie games.

Uma visão do mercado internacional do indie

Sobre mercado internacional, alguns dados são interessantes. Segundo a pesquisa Indie MEGABOOTH de 2015, nos EUA a renda familiar média anual do indie game dev estava entre $ 72.520 e $ 78.826. A média anual dos EUA na época era $ 50.000.

Interessante perceber que os jogos são financiados pelas próprias vendas do indie game (54,1%) e de kickstarter (34,4%), mas também que ainda 36,1% vem de dinheiro pessoal.

indie game development funded


Fonte: https://indiemegabooth.com/indie-economics-part-2/

Na mesma pesquisa, também é ressaltado que a maior parte está bem satisfeito com as vendas e que vão recuperar seus custos com o mais recente game. Isso mostra independência com próprio dinheiro para pagar suas contar no desenvolvimento.

Indie Game Dev Economics


https://indiemegabooth.com/indie-economics-part-2/

Outro estudo interessante é o da Unity chamado “Game Studio Report 2018”. Nele, tem vários dados interessantes, mas destaco alguns:

Game Studio Report 2018


https://blogs.unity3d.com/2018/08/03/the-way-small-independent-studios-create/

• 91% dos estúdios pesquisados ​​são totalmente indie game devs;

• 45% trabalham remotamente;

• 40% dos estúdios estão desenvolvendo para VR / AR;

• Plataformas tradicionais, como PC e celular, ainda são as escolhas mais populares;

• A maioria dos estúdios está optando por publicar seus projetos com o Facebook e o Twitter. Eles são os canais de marketing e atividades promocionais deles.

Veja que isso nos dá indícios de como este mercado está. Assim, podemos pensar aqui no Brasil pensar para evoluir e conseguirmos atingir o internacional.

E o mercado nacional do indie?

https://nuvem.cultura.gov.br/index.php/s/mdxtGP2QSYO7VMz#pdfviewer

A pesquisa que melhor demonstra nosso cenário no Brasil é o II Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais. Na lista de profissionais autônomos, 233 profissionais estão nesta categoria e 75 são formalizados como MEI (Micro Empreendedor Individual). São Paulo domina com 33,9%, depois Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro em segundo e terceiro, respectivamente, com 9,4% e 9%.

Também 71,9% sem relação com mercado internacional dos autônomos. A renda média mensal de 82,2% deles é de até R$ 1.908,00, depois 11,7% entre R$ 1.908,01 e R$ 4.770,00. Isso demonstra que temos muito a fazer por nossa indústria para maior receita aos desenvolvedores.

No mesmo estudo, demonstra-se 375 desenvolvedoras de jogos digitais, sendo 276 formalizadas e 99 não formalizadas. Das formalizadas, 61,7% ganham até 81 mil reais e 100% das não formalizadas ganham este valor também. Percebe-se que a renda não mudou tanto, mas muitas empresas novas surgiram e outras permaneceram no mercado. Isso indica mais solidez nelas na sua permanência.

Desafios do Indie Game Dev

Indie Game the movie
Baita documentário.

Alguns desafios que o indie game dev vai enfrentar, creio que são muito parecidos com o documentário Indie Game: The Movie. Já assistiu? Lá traz um monte de visões e perrengues de três indie games famosos: Fez, Super Meat Boy e Braid. Vai sentir um pouco o que é ser um indie fora do Brasil, mas está próximo de nós também aquela vivência.

Mas ressalto alguns aqui que passei, passo e percebo em outros que converso e ajudo:

Sobrecarga de Tarefas: por serem equipes pequenas, muitos chapéus no desenvolvimento são necessários assumir. Normal você ser game designer e programador e produtor ou algo assim. Isso dificulta o foco, apesar de favorecer a ter um profissional que conhece o processo melhor, mais generalista;

Sair da Informalidade: a informalidade limita receber empréstimos, recursos dos mais diversos e muitas despesas como pessoa física acabam saindo mais caras que tratadas como jurídica, em se tratando de IR. Mas ser informal é não ter uma pesada burocracia e carga tributária como a que temos aqui no Brasil e é um cenário necessário para mudança;

• Trabalhos à distância com outras pessoas: por mais que haja isso, o iniciante pode passar trabalho com problemas de comunicação principalmente. Um processo organizado e claro é necessário para que todos mantenham a mesma consciência sobre o game;

• Internacionalização: é um desafio para muitos entrar nesse mercado. Desde localização do jogo até como atuar nesses mercados. Muitos programas têm saído para ajuda nesse sentido como alguns da ABRAGAMES, SOFTEX, por exemplo, e o atual BRAZIL GAMES. Pode ser o ponto inicial para levar o indie game nacional para fora daqui;

Marketing Digital e Monetização: aqui nem falo da monetização interna só do jogo. Mas também da forma de promoção do jogo, captação e aquecimento de leads, postagens em redes sociais, anúncios pagos, SEO e tudo que envolve esse universo. Afinal, botar só numa loja de venda não é suficiente e muitos empacam nesta parte com o básico;

Custos e Riscos Assumidos: muitas vezes usam o próprio dinheiro para desenvolvimento ou possuem terceirizados no processo. Torna-se mais difícil desenvolver e isso afeta certamente o tempo de desenvolvimento.

O fato é que muitas das situações se situam nos seguintes aspectos: equipes pequenas, orçamento limitado, muito conhecimento em desenvolvimento de games, pouco em gestão, processo e marketing. Isso leva a pensar em produtos que muita vezes não visam venda, falta de produtividade, abandono de projetos, falta de comunicação entre outros cenários complicados.

Comece Projetando Indie Games Divertidos

Um caminho inicial é projetar jogos que sejam divertidos. Afinal, você quer que o jogador recomende o seu jogo, avalie bem. Caso contrário, ele compra uma vez só de você e nunca mais. Logo, tomar decisões para o seu jogo são fundamentais visando a diversão e uma experiência boa ao seu jogador.

Logo, se você deseja se profissionalizar na área de jogos, abandonar a falta de conhecimento e experiência nessa área, conheça o meu curso. O Curso Game Design Cycle é ideal para você conhecer melhor a área e projetar o seu game pensando na melhor experiência aos seus jogadores.

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Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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