Jogos Educativos Divertidos: O que Preciso para Fazer um?

Jogos educativos já se consolidaram como mais um recurso didático possível na educação. Ele surge, pois é muito comum buscarmos aulas mais atraentes. Isso ajuda a ganharmos mais atenção deles, além de nos destacarmos por trazer uma abordagem mais interessante a quem deseja aprender.

Neste artigo trago algumas necessidades que vejo muito comuns em quem deseja trabalhar com esse tipo de jogo. Às vezes vou ser duro no que vou falar, mas preciso ressaltar e dizer aquilo que precisa chegar a todos que desejam atuar nesse segmento.

Construir Referências de Jogos Educativos ou de Entretenimento

Existem dois cenários aqui nessa parte: aqueles que vem da área de desenvolvimento de jogos e os oriundos das áreas da educação e outros segmentos fora dos games.

Os primeiros geralmente tem em sua mente que jogos educativos são chatos (essa crença não enraizou à toa) e que os jogos de entretenimento que conhecem muito bem são muito melhores. Na minha experiência, a maioria deles quando vão fazer um, acabam caindo nos clichês: jogo de quiz e/ou jogo de tabuleiro. Eu mesmo já fui nessa. Não há problema em criar jogos assim, mas se limitar somente a eles é complicado. Afinal, a maior parte das vezes são chatos por dois fatores: i) as mecânicas de jogos não combinam com o conteúdo, não estão coesas e ii) os jogos servem como revisão sobre assuntos já vistos, ou seja, você precisa saber o assunto para conseguir jogar.

No primeiro caso que cito, se você fará um jogo sobre divisão matemática, espera-se uma mecânica de jogo onde o jogador irá dividir coisas, por exemplo. Isso cria relação com o conteúdo. Ou se vou ensinar a separar o lixo, a mecânica principal é fazer essa separação no jogo. Ao realizar as ações de jogo, estou fazendo também a habilidade desejada no conteúdo. Veja que aqui o conteúdo está adequado ao jogo porque o mais comum é a pessoa pegar um jogo de sucesso e enfiar um conteúdo nele. Não há essa coesão e o jogo, antes divertido, torna-se chato e nada educativo.

Já o segundo pessoal, aqueles originários da educação e de outros segmentos, têm baixo repertório de jogos e pouco conhecimento técnico de desenvolvimento de jogos (projeto e produção). O segundo é possível de resolver e muitos buscam isso, mas o primeiro é bem complicado. Converso com muitos e vejo que muitas vezes as referências deles são jogos de tabuleiro da infância ou então jogos do tempo do Space Invaders (de 1978). O mundo dos jogos mudou demais. E nada contra usar jogos antigos como base. Se eles casam com o conteúdo, isso é ótimo, mas se limitar somente a eles, não é bom. O resultado disso acaba em falta de ideias, não conseguir fazer jogos além do que conhecem, jogos adequados ao conteúdo (e não enfiar um conteúdo de qualquer jeito em um jogo) e muitas vezes amadorismo no desenvolvimento. Isso também acaba levando aos clichês que citei anteriormente.

Conhecer vários jogos não é bobeira. Um cineasta que assiste a vários filmes não é por acaso. Ele precisa conhecer o que deseja fazer bem e ter outras referências de trabalho. O mesmo vale para jogos. Até porque a maior parte das invenções se inspiraram em outras sendo incrementais, não radicais. Já dizia aquele livro: Roube como um Artista.

Entender o Contexto de Uso dos Jogos Educativos

Quem vai jogar este jogo? Onde ele será aplicado? Que recursos serão necessários para rodar o jogo? Existe orçamento para isso? Parece bobo, mas canso de ver jogos criados para ambientes de escola pública brasileira exigindo recursos absurdos. Sabemos bem das limitações tecnológicas que existem lá. Isso vai desde monitor, acesso à internet até espaço mobiliário adequado.

É preciso uma análise profunda desse contexto para evitar que o jogo seja inviável de uso. Ou pelo menos criar planos de contingência para que ele possa ser usado em vários contextos. Ok, a escola não tem internet, mas ele tem uma opção de jogar sem? Certo, a escola não tem computadores suficientes para os alunos, mas esse jogo pode ser jogado alternadamente por quatro alunos no mesmo computador? Isso já otimiza os recursos.

A questão é fazer uma boa análise do ambiente e também ter o apoio de todos os interessados: gestores, educadores, pais, alunos e demais envolvidos no processo. Senão também a análise e suporte vai todo por água abaixo.

Pensar na Divulgação do Jogo Educativo

Quantos jogos educativos já vi criados, principalmente pelas universidades em pesquisas, e poucos que alguém ouviu falar. Se você não divulga, para que fazer um então? Jogo sobre a dengue, se você pesquisar em publicações acadêmicas, vai encontrar vários, mas por que não chega ao público?

Sim, faltam investimentos para isso. Incentivos aos pesquisadores e docentes são ausentes também. Entendo que existem regras no uso de recursos que limitam orçamentos nesse sentido, principalmente quando envolvem órgãos públicos. Mas também falta conhecimento sobre o mix de marketing no âmbito da promoção (no sentido de promover aqui).

As publicações científicas são fundamentais, mas o fato é que o povo, de maneira geral, tem pouco contato com isso. Traduzir em uma linguagem mais acessível para chegar a todos é o caminho. Parcerias com as empresas privadas é outro. Eles sabem fazer melhor isso, pois dependem disso para continuarem seus negócios. Sem trabalho e receita, fecham as portas. Fora também articulação governamental para se aproveitar desse desenvolvimento e usar em campanhas públicas.

O fato é que são muito mal divulgados e o mercado muitas vezes não busca fazer esses tipos de jogos, pois tem outros mais lucrativos para desenvolver. Enquanto não houver uma preocupação em divulgar melhor esses jogos, sejam quem forem os atores envolvidos nesse processo, vão continuar esquecidos e pouco conhecidos por todos. Daqui a pouco sairá mais rápido um jogo sobre a Terra é plana – pois eles são ótimos comunicadores de suas ideias, mesmo absurdas como esta – do que jogos realmente educativos.

Entender o Processo de Desenvolvimento de um Jogo Educativo

Entender que é uma área que exige estudo, tem técnicas para se criar um jogo, mesmo os não digitais. Também que jogo faz parte do entretenimento, mas nem sempre é divertido o processo de fazê-lo. Fora o fato que você ter zerado o Super Mario Bros ou jogado outros jogos não o torna capaz de fazer um ou ser um especialista na área. Ainda acrescento a valorização financeira – fazer jogo de qualidade tem custos elevados, pois envolvem muitos recursos, humanos principalmente. Em jogo educativos, mais ainda porque a preocupação é maior. Então saia dessa de jogo baratinho senão sai uma qualidade nesse diminutivo também.

Quem faz o Projeto do Jogo (Game Designer)

Uma questão recorrente também é ver muitas pessoas buscando como se constrói um jogo educativo, pouco sobre projetar um. A primeira pergunta deveria ser: como se projeta um jogo educativo? O motivo é que o problema de jogos educativos não ensinarem nem divertirem está no projeto, na concepção do jogo (o game design). A produção dele em si (arte, programação, áudio…) segue a mesma de qualquer outro jogo, pois afinal seguem as diretrizes dadas no projeto. Aí o que ocorre? Ficam gastando tempo em motores de jogos, aprendendo ferramentas de construção e, por desconhecerem as boas práticas de projeto de jogos educativos (game design), continuam fazendo jogos educativos chatos e muitas vezes nem educativos são.

Claro que a construção é fundamental. Ele concretiza o jogo educativo. Mas construir com projeto errado – isso quando tem ainda – é como fazer um prédio com escadas que levam para uma janela e você caia do quarto andar. Busque especialistas, tente entender essas necessidades. Não vamos a um médico para termos um diagnóstico de saúde? Não falamos com um engenheiro civil para construir uma casa? Então por que não buscamos ou não ouvimos a opinião, muitas vezes, de especialistas na área de jogos? Ou porque você por ter jogado se torna com opinião mais relevante que alguém que entende os bastidores do desenvolvimento de um jogo? Daqui a pouco terão públicos parando peças de teatro e ensinando os atores a atuar. Claro que um desenvolvedor ouve sugestões, pede inclusive – e deve, senão seria muito arrogante -, porém a opinião técnica embasada dele deve ter mais peso nesse processo. Ele é uma autoridade nesse assunto, tanto teórica quanto prática.

Estar aberto ao Novo, as Mudanças

Se você não estiver aberto para mudar, buscar ideias novas e relutar em achar que jogos não é um caminho, nada adianta tudo isto aqui. Você precisa acreditar que é possível fazer diferente, sem preconceitos, sem achar que isso é brincadeirinha, engraçadinho, como ouvi muitas vezes ao usar jogos e remar contra a maré da maioria na educação.

Caso contrário, vai ficar preso aos seus paradigmas na mente e não irá conseguir convencer mais ninguém de que essa proposta ou jogo educativo é boa.

Este é o cenário. Se você busca se tornar diferente na educação e quer aprender a projetar jogos educativos divertidos de verdade, venha estudar comigo. Você deixará isso tudo que falei de lado. O curso Educational Game Dev trata exatamente do problema dos jogos educativos: o projeto. Sim, você está pensando: isto é uma propaganda. Claro, mas também uma oportunidade de começar pelo caminho certo. Chega de perder tempo criando projetos de jogos que levam a jogos educativos chatos.

Comente também aí embaixo outras percepções de necessidades sobre o tema. Vamos discutir o tema. Abraço.

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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