Técnicas Criativas aplicadas ao Desenvolvimento de Jogos Digitais

A definição de ideias para um jogo é algo fundamental, pois são necessários muitos detalhes, precisamos criar personagens, cenários, conceito do jogo em si, além de outras demandas.

Como incentivar e conduzir a criação de ideias, principalmente quando você tem outras pessoas para te ajudar nesse processo?

Uma ajuda que pode ser muito bem-vinda são as técnicas criativas.

Qual a utilidade de técnicas criativas?

A principal utilidade está em levantar ideias, pois permite o trabalho em equipe e por meio de um método para ficar melhor organizado.

Elas aceleram o processo, pois ainda não se conhece uma forma tão procedimental para se obter criatividade. Nesse sentido, essas técnicas ajudam a obtê-la por meio do seu uso, além de se tornar mais produtivo esse levantamento de ideias.

Existem diversas técnicas e, para cada momento, você pode usar uma delas para trabalhar os seus objetivos no jogo digital.

Eu particularmente uso bastante para a concepção de games, pois ajuda a dar um formato para ideias, levantar alternativas e vários caminhos para trilhar nele. Inclusive aqueles que fogem do senso comum.

Vamos conhecer algumas delas, então convido a olhar esse site para se ter ideia da quantidade de possibilidades existentes.

 

Brainstorming

Esta técnica é a mais conhecida e tradicional. Consiste em ter um foco e fazer o levantamento de tudo que vier na mente sobre ele.

Geralmente feito em equipe o ideal é participar no mínimo 4 pessoas para melhor aproveitamento. O tempo geralmente é de 15 minutos a, no máximo, 1 hora. Aliás, é essencial definir-se tempo para não se tornar improdutivo.

Eu sempre divido em três etapas:

  • Definição do tema: qual será o ponto de partida? No exemplo foco, fiz um brainstorming sobre fundo do mar;
  • Levantamento de ideias: todos participam, dizendo ideias sobre o que remete aquele tema/foco escolhido. Tudo o que vier na cabeça no momento, sem julgamentos.  Nesse momento não me preocupo se a ideia é boa ou ruim, pois, se ficarmos julgando já de imediato a ideia, não teremos nada. Geralmente o que ocorre é um ficar olhando para a cara do outro e não sair nada. O objetivo nesse momento é levantar todas as ideias sem julgar, afinal livrando-se de tanta ideia ruim, logo vem uma boa; e
  • Seleção das ideias: agora sim você vai selecionar em equipe o que é pertinente. Dele, você consegue filtrar e relacionar as melhores ideias para criar o seu personagem, jogo ou o que quer que seja.

É interessante também ter alguém que administre a sessão de brainstorming para não virar bagunça e administrar tempo. Isso é uma regra que vale para as outras que abordarei.

 

Caixa Morfológica

Essa técnica serve para gerarmos uma matriz com características desejadas e, depois, fazer combinações para criar conceitos de jogos, personagens, golpes e outras aplicações.

No exemplo abaixo, utilizei as palavras do brainstorming selecionadas em colunas, depois definindo elementos de jogo básicos. Combinando um item de cada linha, conseguimos gerar várias alternativas de games.

Outro uso é a criação de um personagem. Podemos listar linhas com características tais como olhos, cabelo, boca, acessórios, roupas, raça e assim por diante. Pode-se também, usar desenhos como no exemplo abaixo:

caixa_morfologica_exemplo

Super útil para gerar alternativas, principalmente algumas que aparentemente podem ser absurdas mas, na verdade, tornam-se geniais. Ou dependendo de como se desenvolve, sai um pouco do óbvio.

 

Mapas Conceituais

Muito importante para estruturar e puxar ideias a partir de um ponto inicial. A ideia é essa: você parte de um conceito e dele vai desmembrando, fazendo conexões que fazem sentido com cada elo criado.

Um exemplo aqui foi usá-lo para estruturar a ideia de uma das alternativas geradas na caixa morfológica.

Também se pode usar desenhos e outros elementos. Cada pessoa fará um mapa conceitual (ou mental) de uma forma diferente. Não há uma regra para isso, mas ajuda bastante a entender melhor as ideias e extraí-las, pois quanto mais fazemos conexões, mais vamos lembrando de algo e acrescendo.

 

Os Seis Chapéus

chapeus_conceito

Ótimo para analisarmos um problema sob uma ótica pré-estabelecida. Senão, acabamos só avaliando da mesma forma que já estamos acostumados, deixando de lado outras análises que são importantes na aplicação. No caso do chapéu, você precisa avaliar de acordo com a cor e significado dele. Seguem os seis tipos e suas características:

6-chapeus_significado

O legal da técnica é realmente colocar as pessoas sob outra ótica, diferente de sua zona de conforto. Isso tira ideias muito boas. Alguém que é muito otimista, pode ser treinado sob outra ótica, por exemplo, usando um chapéu preto fazendo com que veja o lado dos problemas. Ou você pode maximizar alguém que já tenha uma característica muito boa, e dar foco a ela.

Outro fator interessante é que cada um assume um papel bem definido, fazendo também com que ninguém te julgue pela opinião. Afinal, você está assumindo um papel e tem que dar aquele tipo de análise. Isso dá mais liberdade à equipe e evita julgamentos que muitas vezes estraga o trabalho.

 

 

São várias as técnicas criativas e aqui você conheceu algumas das aplicações possíveis. Você pode explorar mais uma delas e trazer outras técnicas.

O importante é conseguir levantar, criar e viabilizar as ideias para que se tornem realidade.

Já escolheu a sua? Comente conosco em nossas redes sociais e canal no Youtube.

Um abraço.

 

Referências

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira

Fabiano Naspolini de Oliveira (Editor-Chefe) – Formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Pós-Graduado em Docência para Educação Profissional, MBA em Game Design e Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação. Foi redator do portal Nintendo Blast, professor de cursos técnicos e Game Designer/Sócio-Fundador do estúdio Céu Games por 6 anos. Atualmente, é professor de jogos digitais e escritor.

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