Tutorial: Entendendo a Economia para Jogos – Parte 2 – As Quatros Funções Econômicas

No tutorial passado, iniciamos uma introdução à economia.

Mostrei que economia não se resume a dinheiro, mas sim a um fluxo de recursos, que podem ser tangíveis/intangíveis ou concretos/abstratos.

Nesta semana falarei das quatro funções da Economia e como elas definem o fluxo de um recurso.

 

As funções econômicas

São funções que, de alguma forma, alteram os recursos presentes na economia. Existem quatro funções: as fontes, as drenagens, os referentes a trocas e os conversores. Cada uma das quatro funções influenciam de forma diferente a economia do jogo. Vamos pegar, como exemplo, o jogo Civilization V.

Começamos com as fontes: elas são responsáveis por criar os recursos de alguma forma. Em jogos, o recurso pode ser criado quando ocorre algum evento específico (ao atingir uma ruína, encontrei pessoas que decidiram morar na cidade, aumentando sua população), ou gerado continuamente, com uma certa taxa de produção (pelas quantidade de terreno e população, o jogo gera 30 ouros por turno).

A forma como os recursos são produzidos pode facilitar ou dificultar o jogo, assim como pode influenciar o valor do item, embora este último não seja dependente somente da raridade do tal recurso. Mas isso falaremos em um outro tutorial.

A segunda função são as drenagens, que são o oposto da fonte. Elas são responsáveis por eliminar definitivamente os recursos. Por exemplo, um pelotão inimigo derrotou os que eu controlava. O meu pelotão foi retirado do jogo e não volta mais. Posso criar mais para substituir, mas não é o mesmo pelotão que foi perdido. Em jogos de FPS, atirar pode ser uma função de drenagem, pois consumirá munição. Assim como a fonte, a forma que ocorre a drenagem de um recurso pode faciitar ou dificultar o jogo.

A terceira função são os conversores, responsáveis por transformar um tipo de recurso em outro. No Civilization, quando eu compro um pelotão por 5 ouros (recurso intangível, pois não ocupa espaço físico em jogo), eles deixaram de existir, porque foram convertidos em 1 pelotão (recurso tangível). O game designer deve tomar muito cuidado nesse elemento, pois a conversão tem que ser equilibrada e justa, ou os jogadores não irão utilizar tal recurso.

Os conversores podem ser facilmente confundidos com a próxima e última função: trocas. Os trocadores são responsáveis por realizar trocas entre dois tipos de recursos. Diferente dos conversores, em uma troca um recurso não deixa de existir para obter outro, pois os dois recursos já existem, apenas mudaram de entidades.

No Civilization, as trocas de recursos entre dois jogadores são o exemplo mais claro, onde eu posso oferecer a outro jogador 1 vinho em troca de 1 algodão. Esse último é algo que não somente o game designer se preocupa, mas também muitos jogadores de jogos massivos ficam atentos, pois trocas de recursos são muito comuns nesses tipos de jogo.

 

Desafio

Agora, um desafio: em um jogo de RPG, eu comprei 10 poções por 50G. Essa ação é de troca ou de conversão? . . . . . . . . . . . . . . . . A resposta é: depende!!! Como é feita essa transição na estrutura do jogo? O jogador tem uma entidade que possui o valor do dinheiro, mas, e o vendedor? Em muitos jogos de RPG, o dinheiro simplesmente some do sistema quando as poções são compradas. Quando isso ocorre, temos uma conversão.

Enquanto isso, em alguns jogos, o vendedor também possui dinheiro e, quando compro as poções, o dinheiro vai para essa entidade do vendedor. Esse último é claramente uma troca. Isso mostra então que, apesar do contexto do mundo do jogo, a economia sempre parece uma troca. Para o Game Designer, nem todas as transações que o personagem faz são realmente uma troca. Então, tome cuidado nesse ponto.

 

Então, pessoal. Hoje mostrei as quatros funções econômicas e como elas afetam diretamente o jogo.

Continuaremos a falar sobre Economia na próxima postagem. Até mais.

Thalisson Christiano de Almeida

Thalisson Christiano de Almeida

Formado em Ciência da Computação (UDESC). Foi Programador da Céu Games e professor do Técnico em Informática do SENAI-SC. Atualmente, trabalha na empresa By Seven. Já foi jogador de xadrez e praticou kung-fu, ambos por 4 anos. Hoje é praticante do Jiu-jitsu, esperando que não fique nos 4 anos. Não tem preferência de tipos de jogos em especifico, variando desde jogos casuais de Facebook até jogos mais hardcore.

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